Sob permanente ataque dos adversários, Paes se sobressai no debate da Globo, mostrando serenidade, propostas e conhecimento sobre a gestão da cidade

Além de Eduardo Paes (PSD), participaram do debate Alexandre Ramagem (PL), Marcelo Queiroz (PP), Rodrigo Amorim (União) e Tarcísio Motta (PSOL)

O debate promovido pela TV Globo, o último da campanha eleitoral no primeiro turno, nesta quinta-feira (3) , entre candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro foi marcado por ataques centrados no candidato à reeleição Eduardo Paes (PSD).

Os concorrentes do atual prefeito – todos bem atrás nas pesquisas – partiram para uma espécie de tudo ou nada, subindo o tom nas agressões. A tática parece que falhou. Tal qual um time de futebol que parte desesperadamente para a frente, tentaram a qualquer custo o gol, ops! , a lacração, deixando espaço o candidato do PSD, em contra-ataques bem elaborados, especialmente nas réplicas, falar sobre temas de interesse da sociedade, como transporte, saúde e educação.

O acirramento do confronto verificado no curso do debate mostrou o absoluto desnivelamento entre o prefeito e os adversários. O primeiro, firme, sereno, propositivo mas também preparado para o revide à altura. Os demais – especialmente Alexandre Ramagem, Rodrigo Amorim e Marcelo Queiroz – se exibiram apenas como gladiadores, sem revelarem minimamente capacidade de gestão ou qualquer outro predicado para comandar a segunda maior metrópole brasileira.

Único concorrente efetivo do atual prefeito, Alexandre Ramagem foi claudicante. Visivelmente, repetia números e fatos decorados e não conseguia conectar frases e raciocínios – por insegurança, nervosismo e total desconhecimento sobre a cidade. Seu raciocínio era sempre truncado, pontuado por pausas e ou palavras desconexas que serviam como muletas para retomar o prumo do discurso.

Sem rumo, conseguiu atacar até mesmo o governador Cláudio Castro num comportamento deplorável de ingratidão e mau caratismo. Não é segredo de ninguém que Ramagem, por meses, implorou pelo apoio de Castro. Num hotel em Brasília há seis meses, chegou a cercar o governador para lhe pedir engajamento no seu projeto eleitoral.

O que poderia ser a bala de prata de Alexandre Ramagem se transformou num tiro no pé. O debate mostrou o completo despreparo do bolsonarista, inviabilizando qualquer pretensão de avanço na reta final. Ramagem se perdeu num belicismo politicamente suicida.

O debate

Mediado pela apresentadora Ana Paula Araújo, o debate reuniu os candidatos Alexandre Ramagem (PL), Eduardo Paes (PSD), Marcelo Queiroz (PP), Rodrigo Amorim (União Brasil) e Tarcísio Motta (PSol).

Isolado à frente nas pesquisas, Paes foi alvo de todos os outros candidatos — mesmo quando as perguntas não envolviam o atual prefeito.

Houve também ataques entre os candidatos Amorim e Motta sobre temas como aborto e drogas.

O debate teve quatro blocos de perguntas, sendo três deles com temas determinados e três com temas livres. No último bloco, os candidatos fizeram as considerações finais.

Primeiro bloco – tema livre

Amorim x Paes

Rodrigo Amorim começou citando a Lava Jato e supostas ligações da operação com Eduardo Paes . Também questionou sua ligação com Sérgio Cabral, vigas da perimetral e sobre Paulo Assed na discussão. Paes explicou que Assed é seu sogro e afirmou que todos os adversários dele em 2018 foram presos e ele não.

Paes x Ramagem

No primeiro confronto entre Paes e Ramagem, a pauta foi segurança. Paes associou Ramagem ao governador Cláudio Castro, criticando a política atual de segurança pública. Ramagem buscou se distanciar da figura do governador e disse que é afilhado político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Chamou o trabalho de Castro de “gestão medíocre”.

Tarcísio Motta x Amorim

Tarcísio perguntou a Amorim sobre a postura de Bolsonaro após eleições de 2022 e defesa do fechamento de STF por partidários. Amorim faz uma série de críticas ao PSOL e a esquerda.

Ramagem x Queiroz

Ramagem perguntou a Queiroz sobre propostas para segurança pública e critica a gestão atual, dizendo que Eduardo Paes não cumpriu promessas. Queiroz elenca propostas como fortalecimento do Segurança Presente e uso de militares da reserva na segurança da cidade.

Queiroz x Tarcísio

Queiroz pergunta a Tarcísio Motta sobre o pedido de Marcelo Freixo para que seus apoiadores façam voto útil. Ele também perguntou sobre propostas para o turismo. Tarcísio fala sobre diferenças em relação a política de apoio a candidaturas dele e de Freixo, seu ex-companheiro de partido.

Segundo bloco – temas sorteados

Amorim x Paes – saúde

Rodrigo Amorim perguntou sobre saúde para Paes, com críticas a gestão da fila de regulação de consultas. Paes defendeu o trabalho da gestão dele e disse que não perderia tempo com ataques de alguém que “nem candidato mais é”, em referência ao indeferimento da candidatura de Amorim pelo TRE.

Tarcísio x Ramagem – orçamento municipal

Tarcísio associa Ramagem a Crivella e pergunta como ele vai tratar o orçamento, fazendo críticas ao prefeito anterior do Rio. Ramagem respondeu fazendo críticas ao Psol e aos gastos da gestão Paes com pessoal e com as Olimpíadas.

Ramagem x Amorim – Educação

Ramagem pergunta sobre escolas cívico-militares dizendo que a prefeitura atual não investe nelas. Amorim responde que vai investir nesse tipo de projeto e escolas religiosas se for eleito e critica os investimentos nas escolas da prefeitura.

Marcelo Queiroz x Tarcísio – favela

Queiroz pergunta para Tarcísio sobre suas propostas sobre política habitacional para as favelas. Tarcísio diz que vai tentar cumprir a lei que prevê assistência técnica para habitação de interesse social e um programa próprio do município para habitação. Queiroz critica o que considera alta rotatividade de secretários voltados para a habitação na prefeitura.

Paes x Queiroz – Parcerias com o governo federal e estado

Paes pergunta como Queiroz vai lidar com os outros governos. Queiroz diz que, em sua trajetória, sempre buscou parcerias. Paes aproveita para criticar Cláudio Castro e associar outros candidatos com ele. Na sequência, Queiroz critica a polarização da campanha, a administração Paes e o que considera excesso de secretarias.

Terceiro bloco – tema livre

Queiroz x Paes

Queiroz pergunta sobre Paes sobre saúde. Paes diz que diminiu pela metade a fila do Sisreg em relação ao governo Crivella. Na sequência, associa Queiroz a Crivella e a Cláudio Castro e lembra que ele foi secretário desses governos. Queiroz critica proposta de Paes de oferecer Ozempic para população e diz que é difícil marcar endocrinologistas.

Tarcísio x Ramagem

Tarcísio Motta (PSOL) pergunta para Alexandre Ramagem (PL) sobre educação, perseguição de professores e negacionismo no partido. Ramagem promete escolas sem ideologia e faz críticas a esquerda.

Paes x Tarcísio

Paes pergunta ao candidato do PSOL sobre lazer e parques que ele inaugurou, como o Parque Madureira. Tarcísio diz que não tem problema em elogiar alguns parques, mas critica projeto de privatização de áreas de lazer e diz que projeto de lazer não depende necessariamente de grandes obras, prometendo investimento na cultura. Paes diz que parques são abertos e faz promessas de mais áreas.

Ramagem x Amorim

Ramagem pergunta sobre política de câmeras de segurança e diz que elas não devem ser só usadas para multar o cidadão. Amorim diz que enfrentou a máfia do reboque, que se vencer a Guarda Municipal não vai perseguir o cidadão e vai virar polícia municipal. Ramagem diz que vai investir em câmeras para que o Rio vire uma “cidade inteligente”.

Amorim x Queiroz

Amorim pergunta se Queiroz é de direita ou de esquerda e em quem vai votar numa futura eleição para presidente. Queiroz responde sobre sua política de valorização ao servidor e diz que isso independe de orientação ideológica. Amorim diz que é a favor do servidor e de concursos públicos.

Quarto bloco – temas sorteados

Paes x Ramagem – transporte

Paes diz que sua gestão fez avanços no transporte com políticas como o BRT e pergunta propostas para Ramagem sobre mobilidade. Ramagem diz que houve corrupção no BRT e que o trajeto é curto, prometendo ampliá-lo. Paes acusa Ramagem de querer acabar com esse modal, o que Ramagem nega.

Queiroz x Paes

Queiroz pergunta como a prefeitura pode combater construções irregulares. Paes diz que há um trabalho com o MP para combater as construções irregulares e que a prefeitura e o órgão deram prejuízo de R$ 1 bilhão ao crime organizado com esse projeto. Queiroz diz que é preciso mais integração com os outros governos e mudanças na política de licenciamento ambiental.

Amorim x Tarcísio – emprego

Amorim diz que aliados de Tarcísio estimulam subemprego, diz que ele é comunista e pergunta sobre seus projetos para emprego. Tarcísio diz que a extrema direita retira direitos trabalhistas e diz que seu programa tem eixos de geração de empregos, com o polo industrial da saúde, programa Favela é Cidade e pontos de cultura. Amorim diz que vai gerar empregos com tecnologia e incentivos fiscais.

Ramagem x Amorim – comércio ambulante

Ramagem diz que Paes usa a Guarda Municipal como “vilã” dos ambulantes e que não luta para formalizá-los. Amorim diz que vai usar a Guarda Municipal para combater bandidos. Ramagem diz que vai fiscalizar os ambulantes com respeito.

Tarcísio x Queiroz – população de rua

Tarcísio diz que 500 mil pessoas passam fome no Rio, muitas em situação de rua e pergunta sobre propostas para enfrentar o problema. Queiroz diz que criou o programa Hortas Carioca e um projeto que liga produtores a consumidores. Ele promete retomar e ampliar os projetos. Tarcísio propõe ampliar rede de restaurantes populares.

Considerações finais

Alexandre Ramagem

Em suas considerações finais, Ramagem agradeceu a Jair Bolsonaro pelo apoio e prometeu “resgatar a cidade maravilhosa pra família carioca”. Disse ainda que “sem ordem na prefeitura não tem ordem fora da prefeitura” e que segurança “é tema central na cidade” e responsabilidade da prefeitura.

Tarcísio Motta

Tarcísio disse que sua “tarefa é derrotar extrema direita” e que “ninguém quer volta da turma do Witzel, Bolsonaro e Crivella”. Também pediu que o eleitor não vote com medo e disse que “não existe voto útil na milícia”.

Eduardo Paes

Eduardo Paes disse em suas considerações finais que seu governo teve melhora na saúde, com medicamentos e clínicas da família e na educação, prometendo 70% de crianças com ensino em tempo integral. Também prometeu melhorias nas linhas regulares de ônibus.

Marcelo Queiroz

Queiroz se apresentou como alternativa após gestões de Crivella e Eduardo Paes e tentou novamente de afastar da polarização entre direita e esquerda. “Não quero direita e esquerda. Quero Rio de Janeiro”, afirmou.

Rodrigo Amorim

Amorim agradeceu a Flávio Bolsonaro e ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, afirmou que pode levar a eleição ao segundo turno e junto com Alexandre Ramagem, que chamou de irmão, eleger um “prefeito conservador” no Rio.

Com reportagem e apuração em tempo real da equipe do portaal G1

No link abaixo do G1 podem ser vistas em vídeos todas as perguntas e respostas entre os candidatos nos quatro blocos do debate e também as considerações finais dos candidatos.

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2024/noticia/2024/10/04/debate-da-globo-no-rio-e-marcado-por-ataques-a-paes-discussao-sobre-apoios-e-propostas-de-saude-educacao-e-seguranca.ghtml

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