Inadimplência deve aumentar com a suspensão do consignado a beneficiários do INSS e empurrar aposentados para linhas mais caras

A suspensão do empréstimo consignado a beneficiários do INSS pelos bancos — após o governo reduzir o teto dos juros para 1,70% ao mês — deve levar a um aumento da inadimplência e empurrar aposentados e pensionistas para linhas mais caras, como as do crédito pessoal, que têm taxa média de 5,23% ao mês. Em um…

A suspensão do empréstimo consignado a beneficiários do INSS pelos bancos — após o governo reduzir o teto dos juros para 1,70% ao mês — deve levar a um aumento da inadimplência e empurrar aposentados e pensionistas para linhas mais caras, como as do crédito pessoal, que têm taxa média de 5,23% ao mês.

Em um cenário em que a população já está bastante endividada, isso afetaria diretamente o consumo e poderia até forçar os idosos a se desfazerem de patrimônio para sanar dívidas.

Levantamento mais recente da Serasa, com dados de janeiro de 2023, mostra que a inadimplência atinge 70 milhões de brasileiros, que estão com o nome restrito, sendo que 18% deles têm acima de 60 anos.

A redução dos juros do consignado do INSS foi proposta pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi, e aprovada segunda-feira pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS).

Na reunião, o teto da modalidade baixou de 2,14% ao mês para 1,70% e o do cartão no consignado, de 3,06% para 2,62%.

A decisão, tomada sem o aval da equipe econômica e da Casa Civil, criou um mal-estar dentro do governo. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, chamou Lupi e os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Trabalho, Luiz Marinho, para uma reunião na terça-feira a fim de discutir uma solução.

Auxiliares de Haddad querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intervenha para evitar que esse segmento da população fique desassistido.

Por ter uma taxa menor, o crédito consignado é bastante utilizado pelos idosos, que costumam não ter outra fonte de renda além do benefício do INSS.

No ano passado, a oferta total de crédito consignado (considerando todas categorias de consignado) foi de R$ 199,1 bilhões, sendo que R$ 81,4 bilhões — 40,88% do total — foram para aposentados e pensionistas.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 42% deles são pessoas negativadas, o que mostra o risco de aumento da inadimplência com a suspensão da linha pelos bancos.

Já em relação ao total de crédito pessoal ofertado em 2022 — R$ 378,7 bilhões —, o volume para os beneficiários do INSS representou 21,49%.

Dados da Febraban mostram que, atualmente, 14,5 milhões de aposentados do INSS têm empréstimo consignado, movimentando cerca de R$ 215 bilhões nas linhas de empréstimo e cartão.

Com informações do Globo online.

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