Inadimplência bate recorde no Brasil e atinge quase metade dos adultos no país, diz pesquisa

Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que 44,75% dos adultos estão negativados; dívida média supera R$ 5,2 mil e bancos concentram quase dois terços dos débitos

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O Brasil alcançou em julho um recorde preocupante para as finanças das famílias: 75,08 milhões de consumidores estavam inadimplentes, o maior contingente já registrado no país. O número representa 44,75% da população adulta brasileira, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil divulgado pelo portal UOL.

O total de consumidores negativados avançou 0,47% entre junho e julho, mantendo a trajetória de crescimento da inadimplência. Os dados mostram ainda que parte significativa dos brasileiros enfrenta dificuldades prolongadas para reorganizar o orçamento e deixar os cadastros de devedores.

Um dos sinais dessa situação aparece no tempo das dívidas. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o maior crescimento ocorreu justamente entre pendências atrasadas havia quatro ou cinco anos. Nesse grupo, o número de dívidas avançou 38,97%.

Dívida média passa de R$ 5,2 mil

Cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 5.205,30 em julho. Os negativados acumulavam compromissos financeiros com 2,34 empresas credoras diferentes, o que revela que o endividamento frequentemente não está restrito a uma única conta.

Apesar do elevado valor médio, uma parcela considerável das pendências envolve quantias relativamente pequenas. Entre os consumidores negativados, 28,94% possuíam dívidas de até R$ 500.

Quando são consideradas pendências de até R$ 1 mil, o percentual aumenta para 41,16%. Na prática, quatro em cada dez consumidores incluídos nos cadastros de inadimplência têm débitos dentro dessa faixa.

O cenário indica que, mesmo em valores menores, as dívidas podem permanecer sem pagamento diante das dificuldades enfrentadas pelas famílias para equilibrar despesas, compromissos financeiros e renda disponível.

CNDL diz que renegociação não conseguiu conter avanço

Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o elevado número de consumidores negativados também produz consequências para a atividade econômica. Pessoas com restrições de crédito enfrentam maior dificuldade para consumir, contratar financiamentos e movimentar diferentes segmentos do mercado.

Costa avalia que as iniciativas adotadas para facilitar a regularização das pendências ainda não conseguiram interromper o crescimento da inadimplência.

“Fica evidente que as medidas adotadas até o momento, como programas de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, não têm sido suficientes para conter a expansão desse cenário adverso”, diz José César da Costa

Na avaliação da entidade, o elevado nível de endividamento funciona como uma barreira para o dinamismo necessário ao crescimento sustentável da economia brasileira.

Mais da metade das pessoas de 30 a 39 anos está negativada

O levantamento também traçou o perfil dos consumidores com contas em atraso. A maior concentração está entre brasileiros de 30 a 39 anos.

São 18,2 milhões de inadimplentes nessa faixa etária. O número significa que 53,68% de toda a população brasileira entre 30 e 39 anos estava negativada em julho. Assim, mais da metade dos adultos nessa etapa da vida possui alguma pendência registrada.

Na distribuição por gênero, as mulheres representam uma parcela ligeiramente maior dos devedores. Elas correspondem a 51,39% dos consumidores negativados, enquanto os homens representam 48,61%.

Os números ajudam a dimensionar como a inadimplência se espalhou por diferentes parcelas da população e se tornou um problema que alcança milhões de famílias.

Bancos concentram quase 66% das dívidas

As instituições bancárias aparecem com ampla vantagem entre os setores que concentram as pendências financeiras dos brasileiros. Os bancos respondem por 65,91% das dívidas registradas no levantamento.

Em segundo lugar aparecem as contas de serviços básicos, como água e energia elétrica, responsáveis por 10,63% das pendências. O segmento classificado como “Outros” concentra 9,58%, enquanto o comércio responde por 8,21%.

O crescimento das dívidas relacionadas a serviços essenciais também chama atenção. As contas de água e luz apresentaram o maior avanço da inadimplência entre os setores analisados, com alta de 22%.

A combinação entre aumento do número de negativados, permanência prolongada das dívidas e avanço das pendências relacionadas a despesas básicas mostra a dimensão do desafio. Com 75,08 milhões de consumidores inadimplentes, o país chega a um patamar inédito e mantém quase 45% de sua população adulta com alguma conta em atraso.

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