A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, reforçando a trajetória de redução da desocupação no mercado de trabalho. O indicador recuou 0,7 ponto percentual em relação aos primeiros três meses do ano, quando estava em 6,1%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, quando a taxa estava em 5,8%, houve redução de 0,4 ponto percentual. A melhora ocorreu em diferentes regiões: 13 das 27 unidades da Federação apresentaram queda do desemprego em relação ao trimestre imediatamente anterior. Nas demais, o cenário foi de estabilidade.
Apesar do avanço no indicador nacional, os números revelam diferenças significativas entre os estados e entre grupos da população. Mulheres, pretos e pardos apresentaram taxas de desemprego superiores à média do país. A informalidade, por sua vez, ainda alcança mais de um terço dos trabalhadores ocupados.
Desemprego recua em 13 estados
O Rio Grande do Norte apresentou a maior redução da taxa de desocupação na passagem do primeiro para o segundo trimestre, com queda de 1,9 ponto percentual. Paraíba e Acre vieram na sequência, ambos com redução de 1,6 ponto.
Também tiveram recuo Tocantins (-1,5 ponto percentual), Alagoas (-1,3), Minas Gerais (-1,2), Mato Grosso do Sul (-1,1), Goiás (-1,0), Rondônia (-1,0), Espírito Santo (-0,9), Mato Grosso (-0,9), Maranhão (-0,9) e Santa Catarina (-0,6).
Mesmo com a melhora nacional, as diferenças entre os estados continuam expressivas. O Amapá registrou a maior taxa de desemprego no segundo trimestre, de 9,8%, seguido pela Bahia, com 9,1%.
Pernambuco e Piauí aparecem em seguida, ambos com 8,3%, enquanto Sergipe registrou 7,9%.
Na outra ponta, Santa Catarina teve a menor taxa de desemprego do país, de apenas 2,1%. Mato Grosso registrou 2,2%, Espírito Santo, 2,3%, Rondônia, 2,6%, e Mato Grosso do Sul, 2,7%.
Mulheres têm desemprego maior que homens
Os recortes da PNAD mostram que a melhora do mercado de trabalho não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes grupos da população.
Entre os homens, a taxa de desocupação ficou em 4,6% no segundo trimestre. Entre as mulheres, alcançou 6,4%, dois pontos percentuais acima da registrada entre os trabalhadores do sexo masculino.
Também há diferenças quando os dados são analisados por cor ou raça. Entre a população branca, a taxa de desemprego foi de 4,2%, abaixo da média nacional de 5,4%.
Entre os pretos, o indicador chegou a 6,9%. Já entre os pardos, ficou em 6,1%. Nos dois grupos, portanto, o desemprego permaneceu acima da média brasileira.
A escolaridade também aparece como um fator relevante. A maior taxa foi registrada entre pessoas com ensino médio incompleto, chegando a 9%.
Para quem tinha ensino superior incompleto, o desemprego ficou em 5,6%. Entre aqueles com nível superior completo, caiu para 3%.
Informalidade ainda atinge 37,4% dos ocupados
A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 12,9% no Brasil. O indicador considera não apenas os desempregados, mas também trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas que integram a chamada força de trabalho potencial.
As maiores taxas foram registradas no Piauí, com 26,6%, seguido por Bahia e Alagoas, que também apresentaram percentuais elevados. Santa Catarina teve o menor indicador, com 4,1%, seguida por Rondônia (6%) e Mato Grosso (6,1%).
Outro dado mostra que 25,3% dos brasileiros ocupados trabalhavam por conta própria. O Maranhão tinha a maior proporção, com 33,8%, seguido pelo Amapá, com 31%, e Pará, com 30,3%.
Os menores percentuais de trabalhadores por conta própria foram registrados no Acre (17,5%), Distrito Federal (18%) e Tocantins (18,9%).
A informalidade, por sua vez, alcançou 37,4% da população ocupada. A taxa considera, entre outros grupos, empregados dos setores privado e doméstico sem carteira assinada, empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.
Maranhão (56,9%), Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%) tiveram os maiores índices de informalidade. Os menores foram registrados em Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%).
Carteira assinada alcança 74,4% dos empregados privados
Entre os empregados do setor privado, 74,4% tinham carteira de trabalho assinada no segundo trimestre de 2026.
Santa Catarina liderou a proporção de trabalhadores formalizados, com 86,7%. São Paulo apareceu na sequência, com 82%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 81%.
A situação é bastante diferente nos estados com menor proporção de empregados formais. No Maranhão, apenas 53,6% dos trabalhadores do setor privado tinham carteira assinada. No Piauí, eram 54,2%, e no Acre, 55,1%.
Os dados mostram, portanto, que a queda do desemprego convive com diferenças importantes na qualidade e no grau de formalização das ocupações criadas ou mantidas pelo mercado de trabalho.
Número de desempregados há dois anos ou mais diminui
O levantamento do IBGE também revela redução entre aqueles que enfrentam períodos prolongados sem conseguir uma colocação.
No segundo trimestre deste ano, 1,1 milhão de brasileiros procuravam trabalho havia dois anos ou mais. O contingente representa uma queda de 15,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando 1,3 milhão de pessoas estavam nessa situação.
Entre aqueles que procuravam emprego havia menos de um mês, o total também foi de aproximadamente 1,1 milhão. Nesse caso, houve redução de 2,4% em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando o contingente estava próximo de 1,2 milhão.
O desalento também permanece como um desafio. O indicador, que considera pessoas que deixaram de procurar emprego por estarem desencorajadas em relação às possibilidades de conseguir uma ocupação, havia ficado em 2,1% no primeiro trimestre de 2026.
Os maiores percentuais estavam no Maranhão (9,4%), Alagoas (8,1%) e Piauí (7%). Santa Catarina (0,2%), Espírito Santo (0,6%) e Rondônia (0,7%) tinham as menores taxas.
Rendimento médio chega a R$ 3.738
O rendimento médio real mensal de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.738 no segundo trimestre de 2026.
Na comparação com o primeiro trimestre, quando o rendimento havia alcançado R$ 3.795, o IBGE identificou estabilidade estatística. Em relação ao segundo trimestre de 2025, entretanto, houve avanço frente aos R$ 3.635 registrados naquele período.
Na comparação anual, o rendimento aumentou no Nordeste, onde chegou a R$ 2.645; no Sul, com R$ 4.238; e no Centro-Oeste, onde alcançou R$ 4.362. Nas demais regiões, houve estabilidade.
A massa de rendimento real habitualmente recebida pelos trabalhadores brasileiros foi estimada em R$ 380,3 bilhões por mês. O montante ficou estatisticamente estável diante dos R$ 382,1 bilhões do trimestre anterior, mas superou os R$ 367,1 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.







Deixe um comentário