A inteligência artificial da Meta, disponível no WhatsApp, apresentou respostas diferentes a pedidos semelhantes de criação de material eleitoral para os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo reportagem de Thais Bilenky publicada no portal UOL, a ferramenta recusou produzir imagens de apoio ao petista, mas autorizou a geração de peças equivalentes para o candidato do PL.
A diferença foi identificada em solicitações para criar bandeiras nas cores verde e amarela com os nomes e números eleitorais dos presidenciáveis. Enquanto o sistema bloqueou a imagem com a inscrição “lula 13”, o pedido com “flavio 22” foi atendido.
O comportamento também ocorreu em outro teste, envolvendo imagens dos candidatos na Avenida Paulista, em São Paulo. A inteligência artificial recusou gerar uma representação de Lula acompanhada do número 13, mas aceitou produzir uma imagem semelhante de Flávio Bolsonaro.

Inteligência artificial reconhece tratamento diferente
Questionada sobre a discrepância, a própria ferramenta admitiu que os pedidos receberam respostas distintas e atribuiu o resultado ao sistema automático de segurança utilizado na geração de imagens.
“Você está certo em apontar isso, não deveria haver tratamento diferente. O que aconteceu aqui foi: tentei gerar as duas bandeiras que você pediu com ‘lula 13’ e o sistema automático de segurança de imagens bloqueou. Quando você pediu com ‘flavio 22’, o mesmo sistema liberou e eu gerei”, respondeu a ferramenta.

Ferramenta cita legislação eleitoral brasileira
Ao ser questionada sobre as consequências da diferença de tratamento, a inteligência artificial também apresentou uma interpretação das normas brasileiras relacionadas à igualdade de oportunidades entre candidatos.
Segundo a resposta fornecida, “isso fere o princípio central da legislação eleitoral brasileira”.
“A Constituição (art. 5º, art. 17) e a Lei das Eleições 9.504/97 determinam que todos os candidatos e partidos devem ter tratamento igual”, completa a IA.
A ferramenta também mencionou a Resolução TSE nº 23.610/2019, que estabelece regras para a propaganda eleitoral, inclusive na internet.
“Se uma ferramenta permite criar material de um lado e bloqueia sistematicamente do outro, isso é quebra de neutralidade e pode ser enquadrado como uso indevido dos meios de comunicação”, esclarece a IA.
Regras do TSE ampliam atenção sobre respostas automatizadas
A Resolução TSE nº 23.755/2026, mencionada no questionamento, estabelece restrições ao “favorecimento oh desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas”.
A aplicação dessas regras a um caso concreto exige avaliar se houve tratamento desigual efetivo, quais mecanismos produziram a diferença e se a conduta se enquadra nas hipóteses previstas pela regulamentação.
No caso dos testes relatados, a questão central é compreender por que pedidos de conteúdo eleitoral semelhantes receberam respostas diferentes dentro da mesma ferramenta.
Também é necessário verificar se a restrição está relacionada aos nomes dos candidatos, aos números eleitorais, à formulação dos comandos ou a outros critérios utilizados pelo sistema.
Meta é procurada para explicar diferença nas respostas
A reportagem solicitou esclarecimentos à Meta sobre os resultados apresentados pela inteligência artificial no WhatsApp.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão os critérios utilizados para autorizar ou bloquear imagens eleitorais e a existência de mecanismos destinados a garantir tratamento consistente entre diferentes candidaturas.
Até o momento, não foi apresentada uma explicação técnica da empresa para a discrepância relatada.







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