Um relatório do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) detalha a estrutura hierárquica do Comando Vermelho (CV), expondo o funcionamento interno da maior facção criminosa do estado como se fosse uma empresa organizada. O documento, revelado neste sábado (1º), descreve os “cargos” existentes dentro da organização, que vão de chefes de guerra a olheiros, cada um com funções específicas para garantir o domínio territorial e o fluxo contínuo de dinheiro.
No topo da hierarquia está Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, apontado como principal liderança do CV na Penha. Segundo o MPRJ, ele seria o responsável por determinar invasões, comandar as finanças da facção e administrar a expansão do grupo. Doca tem 26 mandados de prisão em aberto e é considerado peça central na engrenagem criminosa.
Logo abaixo dele, Carlos da Costa Neves, o Gadernal, é descrito como “general do Complexo da Penha” e chefe de segurança de Doca. Ele seria o responsável por definir estratégias de guerra e traçar táticas de enfrentamento às forças policiais. Já Washington César Braga da Silva, conhecido como Grandão ou Síndico da Penha, aparece como articulador da comunicação interna e logística, controlando grupos de mensagens, plantões e até pagamentos de propina.
A estrutura, segundo o MP, funciona como um sistema de gestão criminosa altamente eficiente. O CV mantém um modelo que prevê substituições imediatas em caso de prisões, assegurando a continuidade das operações e da arrecadação.
No nível intermediário estão os gerentes de área, que coordenam o tráfico em comunidades e repassam lucros à cúpula. Abaixo deles, seguranças e soldados protegem líderes, armamentos e pontos de venda. Os vapores cuidam da comercialização direta das drogas, enquanto os radinhos controlam a comunicação interna e alertam sobre ações policiais. Já os olheiros fazem a vigilância constante nos acessos das favelas.
A investigação reforça a ideia de que o Comando Vermelho atua com uma lógica de gestão profissional, com divisão clara de responsabilidades e regras internas rígidas — um “ministério do crime” que sustenta o poder da facção mesmo após sucessivas prisões de seus líderes.






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