Hamas afirma que aceita libertar todos os reféns, em resposta ao plano de paz proposto por Trump

Grupo sinaliza também que pode abrir mão do controle de Gaza, mas quer integrar governo palestino futuro

O Hamas declarou nesta sexta-feira (3) que está disposto a aceitar partes significativas do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. A facção, classificada como terrorista por Israel e outros países, afirmou que concorda com a libertação de todos os reféns israelenses, vivos e mortos, conforme previsto no plano.

O anúncio representa um movimento relevante num conflito que está prestes a completar dois anos. O grupo também sinalizou disposição para iniciar negociações com mediadores internacionais, a fim de discutir os pontos restantes do acordo, composto por 20 diretrizes propostas por Washington.

Acordo inclui saída do poder

Entre os compromissos assumidos, o Hamas aceitou uma das cláusulas mais sensíveis: a renúncia ao controle da Faixa de Gaza. A proposta prevê a substituição do grupo por um governo tecnocrático, conforme desejado por Trump. No entanto, o Hamas deixou claro que pretende participar da estrutura nacional palestina que ajudará a compor esse novo governo.

Apesar da aparente abertura, o grupo não detalhou como seria sua participação e disse estar pronto para continuar negociando. A tentativa de integrar o processo sem representar uma rendição total pode enfrentar resistência. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, já afirmou diversas vezes que não aceitará qualquer retorno do Hamas ao poder, direta ou indiretamente.

Entrega de armas e libertação de prisioneiros

No comunicado divulgado, o Hamas evitou comentar uma das exigências centrais do plano: a entrega total de suas armas a uma força policial palestina independente. Essa questão, vista como fundamental por Israel e pelos EUA, permanece em aberto.

O plano estipula que todos os reféns — vivos e mortos — sejam devolvidos no prazo máximo de 72 horas após a aceitação pública do acordo por parte de Israel. Em contrapartida, Tel Aviv deverá libertar 250 palestinos condenados à prisão perpétua, além de 1.700 prisioneiros detidos após os ataques de 7 de outubro de 2023, incluindo todas as mulheres e crianças.

Busca por legitimidade e unidade palestina

A proposta também prevê que decisões futuras sobre Gaza e os direitos do povo palestino sejam tomadas com base em um consenso nacional e nas resoluções internacionais. “Esses temas estão ligados à unidade nacional palestina e às leis internacionais”, afirmou o Hamas em comunicado.

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