Brasil endossa plano de Trump para encerrar conflito em Gaza

Chanceler Mauro Vieira afirma que proposta americana coincide com posicionamento histórico do país

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quarta-feira (1º) que o Brasil vai aplaudir publicamente o plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltado ao fim da guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.
Segundo Vieira, o conjunto de 20 pontos propostos por Trump reflete os objetivos defendidos pelo Brasil em declarações anteriores, incluindo cessar-fogo imediato, libertação de reféns e ajuda humanitária. “Sem dúvida nenhuma vamos aplaudi-lo publicamente, possivelmente ainda no dia de hoje, porque o objetivo do plano é justamente o que nós sempre defendemos desde o início do conflito”, afirmou o chanceler durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Histórico de resoluções brasileiras
Vieira destacou que o Brasil apresentou resoluções com esse mesmo teor no Conselho de Segurança da ONU, mas que foram vetadas por um país-membro. “Justamente, a libertação dos reféns, o fim do conflito, o cessar-fogo imediato, a reconstrução de Gaza, o respeito aos direitos humanos, a ajuda humanitária, tudo isso está dentro das nossas linhas políticas. Sem dúvida nenhuma, o Brasil aplaude a iniciativa e faz votos de que ela surta efeitos e seja aceita por todas as partes”, disse.

Posição do presidente Lula
Apesar de já ter criticado Israel em diversas ocasiões, o presidente Lula manteve o posicionamento do país. Ele comparou ações israelenses a genocídio e questionou planos anteriores de Trump de deslocar palestinos e assumir o controle de Gaza. “Os palestinos vão para onde?”, chegou a afirmar em referência às propostas americanas.

Reações internacionais e críticas
Trump anunciou o plano na segunda-feira (29), com aval de Netanyahu, enquanto o Hamas ainda analisa a proposta. Membros do grupo palestino demonstraram reservas sobre desarmamento e retirada de tropas israelenses. Netanyahu, por sua vez, declarou que tropas permaneceriam em Gaza inicialmente, mesmo se o acordo fosse aceito, enquanto pressionava o Hamas a liberar reféns.

Detalhes do plano de paz
A proposta prevê cessar-fogo imediato, troca de reféns, retirada gradual das tropas israelenses, desarmamento do Hamas e criação de um governo de transição supervisionado por um organismo internacional. Trump lideraria um “Conselho da Paz” com participação de Tony Blair, responsável por administrar temporariamente Gaza junto a um comitê palestino tecnocrático e apolítico.

Prazos e consequências
O presidente americano deu ao Hamas “três a quatro dias” para aceitar o plano, alertando que a rejeição levaria a “um fim muito triste”. Trump enfatizou que, caso o grupo recuse a proposta, Israel teria seu total apoio para agir contra o Hamas.

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