Em um intervalo de menos de um mês, criminosos armados ligados a facções criminosas ou a milícias na guerra do crime organizado no Rio invadiram hospitais em três ocasiões, colocando pacientes e profissionais de saúde em risco. Nenhum dos crimes foi esclarecido pela Polícia Civil.

O episódio mais recente ocorreu nesta terça-feira (30) na UPA de Costa Barros, na Zona Norte, em uma ação gravada sem que os criminosos percebessem. A unidade está fechada por tempo indeterminado. Os profissionais do local foram remanejados para outras unidades.

Só neste ano, a unidade localizada em uma área sob o domínio do crime organizado recebeu 78 pessoas baleadas, segundo dados obtidos pela Agenda do Poder junto a Secretaria Municipal de Saúde. O aumento é de 69,5% em comparação aos 46 registros de 2024. O índice quase triplicou em relação a 2023, quando a UPA recebeu 28 feridos por tiro.

Um levantamento da Prefeitura do Rio indica que a escalada da violência já suspendeu quase 700 atendimentos neste ano. Esse cenário motivou vereadores a analisar um projeto de lei para tornar obrigatória a presença de vigilantes em unidades de saúde.

‘Vai morrer’: como foi a ação na UPA de Costa Barros

O vídeo gravado na UPA de Costa Barros mostra quando homens armados invadem a unidade em meio ao confronto entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro nas favelas do Chapadão e Pedreira. Eles estavam à procura de rivais feridos, que poderiam estar recebendo atendimento.

“Vai morrer!”, diz um dos criminosos. “Que lugar do Chapadão? Tu foi baleado como?”, questiona. “Eu sou trabalhador!”, responde o paciente. Em seguida, uma profissional de saúde interrompe: “Não tem baleado aqui. Respeita os profissionais”. Uma outra profissional desabafa: “Amigo, dá licença! Ele apontou a arma na minha cara. Não tem condições, não”.

A intervenção não foi o suficiente para impedir que dois pacientes fossem levados dali. Eles foram liberados em seguida, quando os criminosos perceberam que eles não eram traficantes rivais.

No mesmo dia, Daniel Soranz, secretário municipal de Saúde do Rio, usou uma rede social para relatar o segundo sequestro de uma ambulância em menos de uma semana. “Profissionais de saúde e pacientes não podem viver sob esse risco permanente”, escreveu.

Milicianos gravados em invasão a hospital

Na madrugada de 18 de setembro, um grupo de oito milicianos armados invadiu o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste, para matar um paciente internado, que havia sido ferido por cinco tiros em confronto.

A câmera de segurança registrou a chegada do grupo na entrada do hospital em um carro. Um deles, que portava fuzil e vestia um colete da Polícia Civil, entrou no local. Outros dois, também com fuzis, ficaram do lado externo para dar cobertura. Imagens mostravam que os bandidos usavam luvas médicas.

Veja o momento em que o grupo chega na unidade:

Os criminosos subiram pelas escadas até o segundo andar, onde ficava o centro cirúrgico. Mas o alvo do grupo já havia sido operado e estava em uma enfermaria em outro andar. A invasão durou sete minutos.

Tiro atinge janela de hospital

Uma guerra de facções teve início no dia 27 de setembro logo após a visita do ministro Alexandre Padilha ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte. Na ocasião, a janela do 5º andar da unidade foi atingida por um tiro.

Durante o confronto, um vídeo gravado da janela de um prédio registrou um assassinato em plena luz do dia.

As imagens mostram um criminoso atirando à queima-roupa no rosto do rival. Um comparsa se aproxima correndo, com a arma em punho. É possível ouvir outros nove tiros no rosto da vítima. Perto dali, fiéis foram filmados enquanto buscavam proteção em uma igreja. Nas ruas, pessoas foram gravadas correndo em busca de refúgio dos tiros.

Assista ao vídeo:

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