UPA de Costa Barros completa uma semana fechada após invasão: ‘Moradores sem atendimento’

Quem vive na região relata indignação com a falta de atendimento e o medo que persiste na área

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A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, continua fechada nesta terça-feira (7), uma semana após criminosos armados invadirem o local à procura de rivais baleados que teriam buscado atendimento na unidade. O ataque ocorreu em meio a uma disputa entre facções pelo controle da região, e desde então o serviço de emergência permanece suspenso.

Enquanto aguardam a reabertura, moradores relatam indignação e insegurança. Muitos expressaram nas redes sociais a revolta com a falta de atendimento e o medo que persiste na área.

“Fecharam a UPA de Costa Barros, deixando os moradores sem atendimento de urgência. É um absurdo sem tamanho”, escreveu um internauta.

Outro morador criticou a falta de segurança mesmo com a presença de viaturas na região: “Esse caveirão [blindado da PM] que fica perto da UPA de Costa Barros não serve pra nada porque eu já deixei um passageiro perto e um cara com radinho mandou eu meter o pé. O policial não falou nada”.

“Completamos uma semana sem atendimento na UPA, é um absurdo sem tamanho! Ou seja, parece realmente que no Rio quem dita as regras é tráfico. Os caras invadem um hospital e quem perde é o morador”, reforçou outra pessoa que vive na região ao Agenda do Poder.

A unidade fica próxima aos complexos do Chapadão e da Pedreira, palcos de disputa entre as facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP). Desde a invasão, operações policias foram feitas nas duas comunidades com objetivo de conter os confrontos.

Sobre a reabertura, a Secretaria Municipal de Saúde disse que aguarda “que a ocupação anunciada pela Polícia Militar em Costa Barros se consolide de forma permanente, e também a prisão dos bandidos que invadiram a UPA, sequestraram a ambulância, funcionários e pacientes”.

O que diz a PM?

A Polícia Militar informou que foi determinada a ocupação por tempo indeterminado na região de Costa Barros, conduzida por policiais militares do 41º BPM (Irajá).

“A Polícia Militar ressalta que a região apresenta grande complexidade, marcada por disputas entre grupos criminosos armados e pela presença de comunidades que demandam atenção constante do Estado. Diante desse cenário, a corporação mantém esforços permanentes de policiamento e ações de proximidade, com o objetivo de proteger vidas, restabelecer a ordem e ampliar a sensação de segurança da população”, diz a nota.

A instituição reforçou que permanece aberta ao diálogo e seguirá atuando de forma integrada e contínua para garantir mais tranquilidade aos moradores de Costa Barros e áreas vizinhas.

Relembre a invasão

A unidade informou que o grupo armado estava atrás de dois rivais baleados que teriam buscado atendimento horas antes no local.

Durante a invasão, dois pacientes foram sequestrados. Funcionários tiveram armas apontadas para o rosto e se esconderam debaixo de camas para escapar da violência.

Depois de ameaçarem a equipe, os bandidos liberaram as vítimas, que retornaram à UPA.

“Os dois pacientes foram atendidos, passaram por curativo e medicação, e deixaram a unidade à revelia, antes da alta médica”, diz a nota.

A Polícia Militar informou que não foi acionada para o caso.

“A corporação tomou conhecimento dos fatos somente após a veiculação pela imprensa e após isso o policiamento foi reforçado na região. A Polícia Militar reforça que mantém diálogo aberto com a população e com instituições públicas, incluindo a Secretaria Municipal de Saúde, para assegurar a prestação de um serviço público seguro e de qualidade”, informou a nota.

Já a Civil disse que a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foi acionada para uma ocorrência em que uma ambulância foi tomada por criminosos que colocaram nela um bandido baleado para ser levado à unidade de saúde.

“Ele chegou já em óbito. Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias da morte, bem como o uso irregular da ambulância. Já a respeito de uma suposta invasão na unidade, até o momento, a Secretário Municipal de Saúde não comunicou o fato na 39ª DP (Pavuna)”, diz.

Guerra do crime invade hospitais

Uma reportagem especial de Agenda do Poder relembrou outros dois casos de violência envolvendo hospitais na cidade, todos em menos de um mês. Confira:

Hospital Municipal Pedro II

Na madrugada de 18 de setembro, um grupo de oito milicianos armados invadiu o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste, para matar um paciente internado, que havia sido ferido por cinco tiros em confronto.

A câmera de segurança registrou a chegada do grupo na entrada do hospital em um carro. Um deles, que portava fuzil e vestia um colete da Polícia Civil, entrou no local. Outros dois, também com fuzis, ficaram do lado externo para dar cobertura. Imagens mostravam que os bandidos usavam luvas médicas.

Hospital Federal do Andaraí

Uma guerra de facções teve início no dia 27 de setembro logo após a visita do ministro Alexandre Padilha ao Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte. Na ocasião, a janela do 5º andar da unidade foi atingida por um tiro.

Durante o confronto, um vídeo gravado da janela de um prédio registrou um assassinato em plena luz do dia.

As imagens mostram um criminoso atirando à queima-roupa no rosto do rival. 

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