Pix lidera confiança dos brasileiros e vira alvo de disputa entre Lula e bolsonaristas

Sistema de pagamentos tem aprovação de 80% e une eleitores de direita e esquerda em meio a ataques dos Estados Unidos e à guerra de versões sobre sua criação

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O Pix tornou-se uma rara unanimidade em um país politicamente dividido. Pesquisa Genial/Quaest à qual o jornal O Globo teve acesso mostra que 80% dos brasileiros confiam no sistema de pagamentos instantâneos, o maior percentual entre as 16 instituições e grupos avaliados pelo levantamento.

O resultado aparece em meio aos ataques do governo dos Estados Unidos ao sistema brasileiro e à tentativa de políticos governistas e oposicionistas de associar o sucesso da ferramenta às próprias administrações.

A pesquisa foi realizada entre 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-06591/2026.

Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), o Pix começou a ser desenvolvido anos antes, ainda na gestão de Michel Temer (MDB). A sequência histórica, porém, não impediu que a ferramenta se tornasse objeto de uma guerra de narrativas na eleição de 2026.

Consenso entre direita e esquerda

A confiança no Pix atravessa praticamente todo o espectro político. O índice alcança 88% entre eleitores de esquerda não lulista e 87% no segmento classificado como direita não bolsonarista.

Entre os bolsonaristas, 80% confiam no sistema. O percentual é de 74% entre lulistas e de 75% entre os eleitores independentes.

Segundo o cientista político Murillo de Aragão, da consultoria Arko Advice, o Pix se tornou algo como o Plano Real ou o Bolsa Família fazendo com que ninguém hoje vai se posicionar contra ele, e todos os discursos tentam de alguma forma se apropriar do seu sucesso.

Para ele, a ferramenta não necessariamente definirá o voto. A percepção de que o sistema poderia estar ameaçado, no entanto, teria potencial para influenciar o eleitor.

A ampla aceitação também ajuda a explicar por que o Pix passou a ser tratado tanto por petistas como por bolsonaristas como um ativo político.

No início de 2025, o governo Lula (PT) revogou uma norma da Receita Federal sobre o monitoramento de transações financeiras depois de a oposição afirmar que a medida abriria caminho para a taxação do Pix. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o tema alcançou cerca de 200 milhões de visualizações.

Ataques dos EUA alimentam disputa eleitoral

Nos últimos meses, Lula passou a relacionar a defesa do Pix à soberania nacional, após críticas do governo Donald Trump ao sistema brasileiro. O presidente tenta associar os ataques dos Estados Unidos ao apoio dado a Trump por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial.

Flávio, por sua vez, afirma em entrevistas que o Pix seria “do Brasil e do Bolsonaro”, numa tentativa de vincular a criação da ferramenta ao governo de seu pai.

Coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Beto Vasques afirma que o Pix se transformou em uma “linha vermelha” para o eleitorado —ou seja, uma política pública que nenhum candidato deveria ameaçar.

Ele acrescenta que o sistema facilitou a rotina financeira tanto das classes média e alta quanto dos mais pobres.  Vasques acrescenta ainda que em um momento de polarização exacerbada, esse consenso é a prova do sucesso do Pix, que se impôs como patrimônio brasileiro.

PMs surpreendem  e urnas perdem confiança

Depois do Pix, os melhores resultados são registrados pela Igreja Católica, com 76%, e pela Polícia Militar, com 75%. As Forças Armadas e os cônjuges ou companheiros aparecem com 70%.

A confiança na Presidência da República subiu três pontos em relação a 2025 e chegou a 57%. O resultado, contudo, permanece abaixo dos 62% registrados em 2023, primeiro ano do atual mandato de Lula.

O STF tem a confiança de 50% dos entrevistados, percentual semelhante ao do Congresso Nacional, com 49%. Os partidos políticos aparecem com 44% de confiança e 55% de desconfiança.

Entre os bolsonaristas, 73% afirmam não confiar no Supremo. A Corte passou a enfrentar maior pressão política e questionamentos sobre a atuação de ministros no caso do Banco Master.

As urnas eletrônicas, por sua vez, perderam 13 pontos desde 2022. A confiança caiu de 78% para 65%, apesar das campanhas realizadas pela Justiça Eleitoral em defesa da segurança do sistema de votação.

Confiança nas instituições

Instituição ou grupoConfiaNão confiaNão sabe/não respondeu
Pix80%19%1%
Igreja Católica76%21%3%
Polícia Militar75%21%4%
Militares/Forças Armadas70%24%6%
Esposa(o)/companheira(o)70%28%2%
Igrejas evangélicas68%28%4%
Bancos67%15%18%
Urnas eletrônicas65%29%6%
Prefeito de sua cidade57%32%11%
Presidência da República53%32%15%
Imprensa50%34%16%
STF50%33%17%
Congresso Nacional49%42%9%
Partidos políticos44%46%10%
Redes sociais44%55%1%
Juízes de futebol41%56%3%

Confiança no Pix por posicionamento político

PosicionamentoConfiaNão confiaNão sabe/não respondeu
Lulista74%25%1%
Esquerda não lulista88%12%0%
Independente75%23%2%
Direita não bolsonarista87%12%1%
Bolsonarista80%19%1%

Fonte: Pesquisa Genial/Quaest, registrada no TSE sob o protocolo BR-06591/2026. Foram realizadas 2.004 entrevistas entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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