A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal aprofundou a crise política no governo e colocou o líder no Senado, Jaques Wagner, no centro das críticas internas. Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontam falhas na condução da articulação e, principalmente, na previsão de votos.
De acordo com relatos, Wagner teria apresentado ao presidente um cenário considerado otimista demais, o que teria contribuído para que o governo não reagisse a tempo diante do avanço da rejeição no Senado.
Erro de cálculo e reação tardia
Ao longo do dia da votação, as estimativas de apoio ao nome de Messias variaram dentro do próprio governo. Inicialmente, havia expectativa de uma margem confortável, com projeções chegando a 45 votos favoráveis.
Com o avanço das articulações, o cenário começou a se deteriorar. Ainda assim, segundo aliados, o diagnóstico repassado ao presidente indicava que a aprovação seria possível, ainda que por margem apertada.
“Lula foi tranquilizado”, relatam interlocutores, ao descrever o momento em que o presidente foi informado sobre a situação.
O resultado final, no entanto, mostrou um quadro oposto: Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que o mínimo necessário, e enfrentou 42 votos contrários.
Wagner não teria atuado bem
A avaliação negativa sobre a atuação de Wagner levou a discussões internas sobre sua permanência na liderança do governo no Senado. Uma ala mais pragmática do Planalto defende, de forma reservada, a substituição do senador.
Além da previsão equivocada, críticos afirmam que Wagner não atuou de forma efetiva para consolidar votos a favor do indicado.
O episódio ocorre em um momento de tensão entre o Executivo e o Legislativo, agravado pela dificuldade de articulação política e pela proximidade do calendário eleitoral.
Alcolumbre nos bastidores
Nos corredores do Senado, aliados do governo apontaram a atuação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, como decisiva para o desfecho.
Segundo relatos de parlamentares, Alcolumbre teria feito contatos ao longo do dia com senadores de diferentes espectros políticos, incentivando votos contrários a Messias.
A assessoria do senador nega essa atuação e afirma que não houve interferência para influenciar o resultado.






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