Governador interino do Rio se reúne com presidentes do TSE e STF

Ricardo Couto de Castro cumpre agenda em Brasília enquanto Justiça Eleitoral retoma julgamento que pode tornar ex-governador inelegível

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, teve nesta terça-feira (24) reuniões com as cúpulas do Judiciário em Brasília, um dia após assumir o comando do estado com a renúncia de Cláudio Castro (PL). Os encontros ocorreram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

A primeira reunião foi com a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, e durou cerca de 30 minutos. Em seguida, o interino esteve no STF para conversar com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Não houve declarações públicas após os encontros.

Agenda ocorre durante julgamento no TSE

As reuniões aconteceram pouco antes da retomada do julgamento no TSE que pode tornar Cláudio Castro inelegível por oito anos. O placar parcial é desfavorável ao ex-governador, com dois votos pela condenação.

Castro é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação aponta uso de estruturas da Fundação Ceperj e da Uerj para contratação de cabos eleitorais, com distribuição de cargos e recursos públicos para ampliar apoio político.

Sucessão e eleição indireta

Com a renúncia formalizada na noite de segunda-feira (23), Ricardo Couto tem até 48 horas para convocar eleição indireta. O novo governador será escolhido pela Assembleia Legislativa para cumprir mandato-tampão.

O atual chefe interino assumiu após a vacância na linha sucessória. O vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo em 2023 para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado, enquanto o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, está impedido de exercer funções por decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Interinidade e bastidores do julgamento

Presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Couto afirmou que deve manter suas atividades no tribunal, sem despachar do Palácio Guanabara, acumulando funções durante o período de interinidade.

O julgamento no TSE será retomado com o voto do ministro Nunes Marques, que havia pedido vista. Nos bastidores, há expectativa de que ele proponha aplicação de multa, mas sem declarar inelegibilidade — embora a tendência majoritária na Corte seja pela condenação.

Mesmo com a renúncia, ministros avaliam que Castro ainda pode ser punido. O entendimento é que deixar o cargo não impede a análise de eventuais irregularidades eleitorais.

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