A discussão sobre o avanço das facções criminosas no Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo na Assembleia Legislativa (Alerj). Depois da apresentação de um projeto que propõe classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em linha com uma decisão adotada pelo governo dos Estados Unidos, uma nova proposta foi protocolada na Casa para ampliar o enfrentamento ao crime organizado.
O deputado Alexandre Knoploch (PL) apresentou um projeto de lei que cria a Agência Estadual de Combate ao Narcoterrorismo (Agecint). A iniciativa pretende reunir informações estratégicas, fortalecer a cooperação entre instituições e ampliar a capacidade de resposta do estado diante da expansão das facções criminosas.
Nova frente de atuação
Segundo o parlamentar, o crescimento da influência de organizações criminosas dentro e fora do estado exige uma atuação mais integrada e especializada dos órgãos de segurança pública.
A proposta prevê a criação de uma estrutura voltada para a produção e análise de informações estratégicas, além da articulação entre diferentes instituições envolvidas no combate ao crime organizado.
De acordo com Knoploch, o debate ganhou ainda mais relevância após a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
“Depois que os Estados Unidos classificaram o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, ficou ainda mais evidente que não estamos diante de simples grupos criminosos. Estamos falando de estruturas altamente organizadas, armadas, financiadas e conectadas a redes internacionais”, afirmou.
Inteligência e integração
Pela proposta, a Agecint atuaria como um centro especializado em inteligência estratégica, análise de dados e integração institucional. A intenção é facilitar o intercâmbio de informações entre órgãos estaduais, federais e organismos internacionais.
“A proposta da AGECINT é criar uma estrutura especializada em inteligência estratégica, análise de dados, integração institucional e combate ao narcoterrorismo, reunindo profissionais altamente qualificados e preparados para enfrentar uma das maiores ameaças à segurança pública da nossa geração”, declarou o deputado.
Knoploch também defende que o estado fortaleça mecanismos de prevenção e amplie sua capacidade de antecipar movimentos das organizações criminosas. “O Rio de Janeiro precisa parar de reagir e começar a se antecipar”, disse.
Tramitação na Alerj
Ao justificar a iniciativa, o parlamentar afirmou que o enfrentamento ao crime organizado deve permanecer entre as prioridades do Poder Legislativo fluminense.
“Não fui eleito para protocolar projetos superficiais. Fui eleito para enfrentar problemas reais. E o narcoterrorismo é um dos maiores desafios que o Rio de Janeiro precisa combater com seriedade, inteligência e planejamento”, declarou.
O projeto que cria a Agência Estadual de Combate ao Narcoterrorismo agora seguirá a tramitação regimental da Alerj. Antes de uma eventual votação em plenário, a proposta deverá passar pela análise das comissões temáticas da Casa.






Deixe um comentário