Israel anunciou nesta terça-feira (16) o início de sua operação terrestre na Cidade de Gaza, em uma ofensiva considerada a etapa mais intensa desde o começo da retaliação contra o Hamas, em outubro de 2023, que já matou mais de 60 mil palestinos, incluindo mulheres e crianças. A ação foi acompanhada de uma declaração do ministro da Defesa, Israel Katz: “Gaza está em chamas”.
Ofensiva em larga escala
De acordo com um oficial militar israelense, as Forças de Defesa de Israel (IDF) passaram a executar a fase principal da incursão terrestre na Cidade de Gaza, o maior centro urbano do território palestino. A missão, segundo os militares, tem como objetivo “desmantelar a infraestrutura terrorista do Hamas” no local.
“Lançamos uma operação significativa em Gaza”, declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante depoimento em um julgamento de corrupção. Segundo relatos de moradores, os bombardeios se intensificaram nos últimos dois dias, destruindo dezenas de casas. A operação mobiliza tanques, aviões e até barcos da Marinha na ofensiva pela costa.
Impacto humanitário imediato
Autoridades de saúde de Gaza informaram a morte de pelo menos 24 pessoas apenas nas primeiras horas dos ataques, a maioria dentro da Cidade de Gaza. Estima-se que cerca de 320 mil habitantes já tenham deixado o local, mas outros 650 mil permanecem em meio aos combates. Milhares fogem em caravanas, carregando seus pertences pelas ruas devastadas.
Grande parte da Cidade de Gaza já havia sido destruída nos primeiros meses do conflito, mas aproximadamente 1 milhão de palestinos retornaram às ruínas ao longo de 2024. Agora, a nova expulsão ameaça confinar a população em acampamentos improvisados no sul do território, onde Israel delimitou o que chama de “área humanitária”. A ONU classificou a retaliação israelense como genocídio. Além disso, diversas entidades internacionais de direitos humanos alertam que as condições em Gaza são precárias, com escassez de alimentos e assistência.
Pressão por reféns e risco político interno
A ofensiva reacendeu protestos de famílias de reféns em Jerusalém. Elas acusam Netanyahu de não querer acordo e colocar em risco ainda maior a vida de seus parentes sequestrados.
O Hamas ainda mantém cerca de 50 reféns em Gaza, de acordo com autoridades israelenses. O grupo militante foi responsável pelo ataque surpresa de outubro de 2023, que deixou 1.200 mortos e resultou em 251 sequestros.
Divisões no alto comando
Apesar do discurso oficial de endurecimento, parte da cúpula militar israelense vê riscos na operação. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, teria pedido diretamente a Netanyahu que buscasse um acordo de cessar-fogo, durante reunião com líderes de segurança no domingo (14). Alguns comandantes alertam que a estratégia pode comprometer a vida dos reféns e transformar a operação em uma “armadilha mortal” para as tropas.
A pressão internacional também cresce. Os Estados Unidos, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, reafirmaram apoio à decisão de Israel de abandonar negociações por um cessar-fogo, mas destacaram a necessidade de uma solução diplomática. “Temos que estar preparados para a possibilidade de que isso não aconteça”, disse Rubio, ao reforçar que a libertação dos reféns e o desarmamento do Hamas são vistos por Washington como condição indispensável para encerrar os ataques.
Escalada da guerra
Com Israel controlando cerca de 75% do território de Gaza, segundo estimativas locais, o Ministério da Saúde palestino afirma que mais de 64 mil pessoas já morreram desde o início da ofensiva israelense. Além das vítimas, o conflito mergulhou a região em crise humanitária severa, com relatórios de fome generalizada na região.






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