Israel convoca 40 mil reservistas para nova ofensiva na Cidade de Gaza

Após quase dois anos de genocídio na região palestina, Israel intensifica bombardeios e prepara tropas para combate urbano

Israel reforçou nesta terça-feira (2) sua mobilização militar ao reintegrar milhares de reservistas ao Exército e anunciar preparativos para uma nova ofensiva na Cidade de Gaza, epicentro da retaliação do país sionista ao grupo militante palestino Hamas. Em comunicado oficial, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que as tropas estão sendo preparadas “logística e operacionalmente para extensas operações de combate e para a mobilização maciça de reservistas”.

Segundo a imprensa israelense, a primeira leva de 40 mil reservistas já começou a retornar às unidades. O Exército informou que eles estão sendo submetidos a “uma série de exercícios de treinamento de combate em áreas urbanas e abertas, com o objetivo de aprimorar sua prontidão para as próximas missões”. A decisão ocorre mesmo diante da pressão internacional e interna por um cessar-fogo, após quase dois anos de ataques ininterruptos.

Intensificação dos bombardeios

Enquanto reservistas eram mobilizados, os ataques aéreos a Gaza se intensificaram. De acordo com a Defesa Civil Territorial, ligada ao Hamas, 56 pessoas morreram apenas na terça-feira em diferentes pontos da região. As Forças de Defesa de Israel disseram investigar as denúncias, mas ressaltaram a dificuldade de apurar sem informações detalhadas de horário e localização.

As condições de verificação permanecem limitadas, já que jornalistas enfrentam restrições de acesso à região por parte do governo de Israel, que parece temer uma apuração independente dos fatos. Imagens da AFP registradas em Tel el-Hawa, ao sul da Cidade de Gaza, mostraram equipes do Crescente Vermelho retirando o corpo de uma menina dos escombros, em meio a destruição. Moradores relatam noites de terror.

“Estávamos dormindo em nossas casas e, de repente, acordamos com o som de bombardeios e destruição. Encontramos a maioria de nossos vizinhos mortos ou feridos”, contou Sanaa al-Dreimli à agência francesa.

Nova ofensiva em Gaza

Apesar das críticas, o governo israelense determinou ao Exército que avance com a nova ofensiva contra o Hamas na Cidade de Gaza, onde vivem cerca de um milhão de pessoas em condições que a ONU já classificou como de fome generalizada. O governo de Israel diz que o objetivo é destruir o Hamas e recuperar os reféns sequestrados pelo grupo, mas já matou mais de 50 mil palestinos, incluindo mulheres e crianças.

O ministro da Defesa, Israel Katz, aprovou no fim de agosto os planos militares para a conquista da cidade e autorizou a convocação de 60 mil reservistas. Muitos deles já haviam deixado suas famílias e empregos em mobilizações anteriores, algumas pela quarta ou quinta vez desde o início da retaliação israelense.

Com a retomada da mobilização em massa e o avanço das operações, cresce a expectativa sobre a intensidade da ofensiva em Gaza, assim como as preocupações internacionais com o agravamento do genocídio no enclave palestino.

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