Israel intensifica ofensiva e avança sobre a Cidade de Gaza após convocar 60 mil reservistas

Exército amplia operações enquanto mediadores aguardam resposta de Tel Aviv sobre cessar-fogo aprovado pelo Hamas

O Exército de Israel anunciou, nesta quarta-feira (20), o avanço de suas tropas para tomar a Cidade de Gaza, principal centro urbano do território palestino. A ofensiva marca uma nova etapa da guerra, que já dura 22 meses, e ocorre no mesmo dia em que o governo aprovou a convocação de 60 mil reservistas para reforçar as operações.

Segundo o porta-voz militar israelense Effie Defrin, as tropas já controlam parte dos subúrbios da Cidade de Gaza, considerada por Tel Aviv um dos últimos bastiões do Hamas. “Iniciamos operações preliminares e os primeiros estágios do ataque à Cidade de Gaza”, afirmou.

A decisão foi anunciada após o ministro da Defesa, Israel Katz, autorizar a mobilização emergencial dos reservistas. O plano inicial previa a incorporação gradual das tropas entre setembro de 2025 e março de 2026, mas os prazos foram antecipados diante da escalada do conflito.

O gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu também determinou a redução dos prazos para assumir o controle total dos redutos do Hamas e enfraquecer a capacidade militar do grupo. Apesar disso, o governo não detalhou os novos cronogramas.

Com quase 75% da Faixa de Gaza já sob domínio israelense, a tomada da Cidade de Gaza tem forte peso simbólico. Antes da guerra, a região concentrava a maior parte dos mais de 2 milhões de habitantes do território, hoje devastado por bombardeios e sob grave crise humanitária.

A ofensiva ocorre enquanto mediadores internacionais — liderados por Qatar, Egito e Estados Unidos — aguardam uma resposta oficial de Israel a uma proposta de cessar-fogo já aprovada pelo Hamas. O plano prevê uma trégua de 60 dias, a libertação gradual de reféns e o início de negociações para um acordo de paz definitivo.

Apesar da escalada militar, Doha demonstrou otimismo. “Não podemos afirmar que tenha havido um avanço decisivo, mas acreditamos que é um ponto positivo”, disse Mayed al Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Qatar.

De acordo com informações da rádio pública israelense Kan, a proposta prevê a libertação de 10 reféns vivos e a entrega dos corpos de outros 18, em troca da suspensão temporária dos ataques.


A guerra, iniciada após os atentados do Hamas em 7 de outubro de 2023 — que deixaram cerca de 1.200 mortos em Israel —, já provocou mais de 62 mil mortes em Gaza, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. Dados da ONU apontam ainda para um colapso humanitário na região, com “fome generalizada” e sistema de saúde à beira do colapso.

Até o momento, cerca de 250 pessoas foram sequestradas pelo Hamas desde o início do conflito, e estima-se que 50 ainda estejam em cativeiro, sendo que apenas 20 delas estariam vivas. Israel afirma que um dos principais objetivos da operação em Gaza é libertar esses reféns, embora especialistas alertem que o avanço militar pode colocar suas vidas em risco.


Enquanto a diplomacia tenta avançar, o Exército israelense intensifica ataques aéreos e terrestres na Cidade de Gaza. Segundo o portal local Walla, as forças estão próximas de concluir a tomada do bairro de Zeitoun, e o próximo alvo deve ser Al Sabra, região considerada estratégica para o controle total do território.

O impasse entre a pressão militar e as negociações diplomáticas mantém o conflito em uma das fases mais delicadas desde o início da guerra, elevando a tensão no Oriente Médio e aumentando a incerteza sobre um possível cessar-fogo.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading