Ataques israelenses matam 18 em Gaza e novo fechamento de Rafah eleva tensão no cessar-fogo

Bombardeios atingem Cidade de Gaza e Khan Younis enquanto pacientes ficam impedidos de cruzar para o Egito, em meio a impasse entre Israel, OMS e autoridades palestinas

O bombardeio de tanques israelenses e ataques aéreos matou 18 pessoas na Faixa de Gaza nesta quarta-feira, incluindo quatro crianças, segundo autoridades palestinas. No mesmo dia, Israel interrompeu a saída de pacientes pela passagem de fronteira de Rafah, elevando a tensão em um cessar-fogo já marcado por episódios frequentes de violência.

Os ataques atingiram áreas da Cidade de Gaza e Khan Younis, no sul do território. O Exército de Israel afirmou que os disparos de tanques e as ofensivas aéreas ocorreram após um atirador abrir fogo contra soldados israelenses, ferindo gravemente um reservista.

Suspensão de evacuações médicas

Um responsável da área de saúde em Gaza disse à Reuters que Israel também interrompeu a passagem de pacientes pela fronteira de Rafah para o Egito, apenas dois dias depois da reabertura do posto. A retomada havia permitido que um número reduzido de palestinos atravessasse a fronteira pela primeira vez em meses.

Segundo um porta-voz do Crescente Vermelho, pacientes já estavam em um hospital de Khan Younis em preparação para cruzar Rafah quando foram informados de que as evacuações haviam sido adiadas.

“Eles ligaram para os pacientes e disseram que hoje não haverá viagem alguma, a passagem está fechada”, disse à Reuters, no hospital, Raja’a Abu Teir, uma paciente palestina que aguardava evacuação enquanto outras pessoas permaneciam em ambulâncias.

Versões em conflito

A agência israelense responsável por coordenar o acesso a Gaza, o COGAT, afirmou em comunicado que a passagem de Rafah permanecia aberta. Segundo o órgão, porém, não haviam sido recebidos os detalhes de coordenação necessários da Organização Mundial da Saúde para viabilizar a travessia.

A OMS não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pela Reuters.

Cessar-fogo e plano dos Estados Unidos

A reabertura da passagem de Rafah fazia parte das exigências do cessar-fogo firmado em outubro, que estabeleceu a primeira fase do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates entre Israel e os militantes palestinos do Hamas.

Na terça-feira, 16 pacientes de Gaza e 40 acompanhantes cruzaram para o Egito, segundo médicos locais ouvidos pela Reuters. Uma fonte da polícia do Hamas informou ainda que pelo menos 40 pessoas atravessaram do Egito para Gaza no fim da noite do mesmo dia.

Em janeiro, Trump declarou o início da segunda fase do cessar-fogo, que previa negociações sobre o futuro governo de Gaza e a reconstrução do enclave, devastado por quase dois anos de guerra.

Impasse e números da guerra

Questões centrais permanecem sem solução, como a retirada das forças israelenses de mais de 50% do território que ocupam atualmente e o desarmamento do Hamas. O cessar-fogo, considerado frágil, tem sido marcado por violência quase diária.

Desde o início da trégua, o fogo israelense matou pelo menos 530 pessoas em Gaza, a maioria civis, de acordo com autoridades de saúde locais. No mesmo período, militantes palestinos mataram quatro soldados israelenses, segundo dados divulgados por Israel.

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza já matou mais de 71 mil palestinos, conforme autoridades de saúde do território, deslocou a maior parte da população e deixou extensas áreas em ruínas. O conflito foi desencadeado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, segundo contagens israelenses.

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