Israel reabriu nesta segunda-feira (2) a passagem de Rafah, localizada na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase dois anos após ter assumido o controle do local e determinado seu fechamento em meio à retaliação ao grupo militante Hamas. A reabertura marca um passo relevante no alívio das restrições impostas à circulação de pessoas no território palestino desde o início do conflito.
A retomada das atividades na passagem permitiu o trânsito de pessoas a pé e de ambulâncias, criando a possibilidade de que palestinos deixem Gaza em busca de atendimento médico e também de que retornem aqueles que haviam fugido durante os meses mais intensos da guerra.
Ambulâncias e pacientes na fronteira
Ao longo desta segunda-feira, dezenas de ambulâncias foram vistas dos dois lados da fronteira. No lado egípcio, veículos aguardavam para transportar palestinos feridos pelo conflito. Do lado de Gaza, ambulâncias levavam pacientes de hospitais do território até a passagem de Rafah para a transferência.
Segundo organizações não governamentais que acompanham a situação humanitária, cerca de 20 mil palestinos aguardavam a reabertura do posto fronteiriço para buscar tratamento médico fora de Gaza, onde o sistema de saúde foi severamente afetado pela guerra.
Restrições e limites iniciais
Apesar da reabertura, o funcionamento da passagem será limitado. Israel informou que exigirá verificações de segurança para os palestinos que entrarem e saírem, e acordos com o Egito preveem restrições ao número de pessoas autorizadas a cruzar a fronteira.
De acordo com a mídia estatal egípcia, apenas 50 pessoas poderão atravessar a passagem em cada sentido nos primeiros dias de operação. Uma fonte palestina confirmou o mesmo número à agência de notícias Reuters.
Cessar-fogo e mediação internacional
A reabertura de Rafah ocorre no contexto do cessar-fogo entre Israel e Hamas mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025. A retomada do funcionamento da passagem era considerada um requisito central da primeira fase do plano de paz apresentado pelo governo estadunidense.
O Exército israelense havia tomado controle da passagem no início de maio de 2024, cerca de nove meses após o início da guerra em Gaza, fechando uma das principais rotas de saída da população palestina que fugia dos combates.
Um oficial de segurança israelense afirmou que equipes europeias de monitoramento chegaram ao local e que a passagem “agora está aberta à circulação de moradores, tanto para entrada quanto para saída”.
Reação da União Europeia
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, elogiou a reabertura da passagem de Rafah, classificando-a como “um passo concreto e positivo no plano de paz”. Ela destacou o papel vital do local para permitir o atendimento de palestinos doentes e feridos e informou que uma missão da UE está presente para monitorar as operações e auxiliar no processo.
Importância histórica da passagem de Rafah
Nos primeiros nove meses da ofensiva israelense em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, a passagem de Rafah foi a principal via de saída de palestinos para o Egito. Autoridades palestinas estimam que cerca de 100 mil pessoas deixaram Gaza desde o início da guerra, a maioria nesse período inicial.
Alguns palestinos conseguiram sair com apoio de organizações humanitárias, enquanto outros recorreram a intermediários no Egito, pagando propinas para obter autorização de passagem.
Israel fechou Rafah após avançar militarmente sobre a região e também bloqueou o corredor Filadélfia, faixa que percorre toda a fronteira entre Gaza e o Egito.
Impacto humanitário e restrições à imprensa
O fechamento da passagem interrompeu uma rota essencial para que feridos e doentes buscassem tratamento fora de Gaza. Ao longo do último ano, apenas alguns milhares de palestinos foram autorizados a sair via Israel para atendimento médico em outros países. Segundo a Nações Unidas, milhares ainda necessitam de cuidados no exterior.
Mesmo com a reabertura de Rafah, Israel continua impedindo a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza. Profissionais da imprensa estão proibidos de acessar o território desde o início da guerra, que resultou em destruição generalizada e devastou amplas áreas da região.






Deixe um comentário