Pelo menos 32 pessoas morreram neste sábado (31) em novos ataques aéreos israelenses na Faixa de Gaza, segundo a Defesa Civil do território palestino. As ofensivas aconteceram poucas horas antes da anunciada reabertura parcial da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, único ponto de saída de Gaza que não é controlado por Israel.
De acordo com os socorristas, 28 corpos foram retirados dos escombros, entre eles crianças, mulheres e um idoso. As equipes de resgate afirmam ainda que há vítimas soterradas, o que pode elevar o número de mortos nas próximas horas.
Ataques atingem áreas civis e deslocados
Segundo o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal, os bombardeios atingiram edifícios residenciais, tendas de deslocados e uma delegacia de polícia, agravando a crise humanitária no território. Um dos ataques ocorreu em Al Mawasi, no sul da Faixa de Gaza, região onde dezenas de milhares de pessoas vivem em acampamentos improvisados.
Outro bombardeio atingiu uma delegacia na Cidade de Gaza, deixando sete mortos, entre agentes e civis, conforme informou o comando da polícia local. O número total de vítimas em algumas áreas ainda não foi confirmado oficialmente.
Israel cita violação da trégua
Em comunicado, o Exército israelense afirmou que os ataques foram uma resposta a um incidente ocorrido na sexta-feira, quando oito combatentes palestinos teriam saído de um túnel em Rafah, o que, segundo Israel, viola o acordo de cessar-fogo. Os militares disseram ter atingido comandantes e integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica.
A ofensiva ocorreu apesar do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, estabelecido sob pressão dos Estados Unidos. Em janeiro, a trégua entrou em uma segunda fase, que prevê o desarmamento do Hamas, a retirada gradual das forças israelenses e a presença de uma força internacional.
Reabertura de Rafah gera críticas
A abertura parcial da passagem de Rafah, prevista para domingo, permitirá a circulação limitada de pessoas, sob coordenação do Egito, autorização prévia de Israel e supervisão de uma missão da União Europeia. Israel manterá a fiscalização em um corredor sob seu controle.
A medida, porém, não atende às demandas da ONU e do Hamas. Países como França e Reino Unido cobram a entrada irrestrita de ajuda humanitária. Autoridades de saúde de Gaza acusam Israel de restringir o envio de medicamentos e equipamentos médicos.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, mais de 71 mil palestinos morreram em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, número considerado confiável pela ONU. Quase toda a população do território foi deslocada ao menos uma vez durante o conflito.






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