Dia dos Namorados termina em tragédia e acusado de matar militar recebe pena de 36 anos

Tribunal do Júri condena homem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio após ataque a casal que deixava boate em Campo Grande

O II Tribunal do Júri da Capital condenou Dayan Carvalho de Araújo a 36 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do militar Lucas Dias Santos e pela tentativa de homicídio contra Verônica Ketelen Junqueira Penha. O crime aconteceu na madrugada de 13 de junho de 2022, logo após o casal comemorar o Dia dos Namorados em uma boate de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

A sentença foi proferida na última quarta-feira e determina o cumprimento da pena em regime inicial fechado.

Crime ocorreu após confusão em boate

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Lucas e Verônica não participaram de uma discussão ocorrida dentro do estabelecimento, mas acabaram se tornando vítimas da violência que se seguiu ao episódio.

De acordo com as investigações, Dayan estava entre as pessoas envolvidas na confusão e teria sido retirado do local pelos seguranças.

Após deixar a boate, ele teria decidido procurar uma forma de vingança e, pouco tempo depois, surpreendeu o casal quando ambos já estavam dentro do carro, prestes a deixar o local.

Disparos contra o veículo

A investigação apontou que o acusado utilizou uma pistola para atacar as vítimas.

Segundo os autos do processo, a arma havia sido entregue à segurança da boate antes da entrada no estabelecimento e foi recuperada por Dayan antes do crime.

O Ministério Público sustentou que ele efetuou diversos disparos contra o veículo onde estavam Lucas e Verônica. Relatórios da investigação apontam que o acusado teria continuado atirando após recarregar a pistola.

Lucas Dias Santos, que conduzia o automóvel, foi atingido pelos disparos e morreu após ser levado ao Hospital Municipal Rocha Faria.

Sobrevivente dirigiu até o hospital

Mesmo ferida por tiros, Verônica conseguiu assumir a direção do veículo e conduzi-lo até a unidade hospitalar.

Ela sobreviveu ao ataque, mas, segundo informações apresentadas durante o julgamento, ainda convive com sequelas físicas provocadas pelos disparos.

De acordo com a decisão judicial, alguns projéteis permanecem alojados em seu corpo, causando dores e limitações que persistem anos após o crime.

Jurados rejeitaram tese da defesa

Durante o julgamento, a defesa do réu tentou questionar a validade do depoimento prestado por Verônica, argumentando que as lembranças apresentadas por ela poderiam estar relacionadas a falsas memórias.

Os jurados, entretanto, rejeitaram a tese defensiva e reconheceram a autoria dos crimes atribuídos a Dayan Carvalho de Araújo.

A decisão acolheu a acusação de homicídio qualificado consumado contra Lucas Dias Santos e tentativa de homicídio qualificado contra Verônica Ketelen.

Pena superior a 36 anos

A condenação foi fixada em 36 anos e 8 meses de prisão.

Desse total, 23 anos e 4 meses correspondem à pena pelo homicídio qualificado de Lucas Dias Santos. Outros 13 anos e 4 meses referem-se à tentativa de homicídio qualificado contra Verônica.

Na sentença, o juiz Renan de Freitas Ongaratto destacou os impactos permanentes causados à sobrevivente, mencionando os traumas físicos e emocionais decorrentes do ataque.

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