Garotinho propõe cercar e ocupar as comunidades e redução em dois anos dos crimes sem solução no Rio
Reportagem Especial

Garotinho propõe cercar e ocupar as comunidades e redução em dois anos dos crimes sem solução no Rio

Candidato vai criar quatro centrais especializadas, Corregedoria Geral externa e meta de baixar de 70% para 40% o índice de casos não esclarecidos

Anthony Garotinho (Republicanos) pretende criar o Bope 2.0 para cercar e ocupar comunidades dominadas por traficantes e milicianos e instituir um Comitê Integrado de Combate ao Crime Organizado caso seja eleito governador do Rio. A estratégia prevê recuperar territórios controlados por facções e milícias e atacar as estruturas financeiras dessas organizações.

Coordenado pelo governador, o comitê reunirá as polícias Civil, Militar, Penal e Ministério Público Estadual, em articulação permanente com Polícia Federal, Receita Federal, Coaf e Gaeco. O plano teria três eixos: prender lideranças, bloquear patrimônio e asfixiar as fontes de financiamento do crime.

A Polícia Civil vai ganhar um departamento exclusivo para investigar lavagem de dinheiro de facções e milícias. Garotinho afirma que há uma defasagem superior a 8 mil agentes e promete concursos para as polícias Civil, Militar e Penal já no primeiro semestre de governo, além da retomada de benefícios e do pagamento de adicional de risco.

O programa prevê ainda uma Corregedoria Geral externa e quatro Centrais de Homicídios, Feminicídios e Desaparecimentos. A meta é reduzir de 70% para 40%, em dois anos, o índice de crimes sem solução, com divulgação mensal dos resultados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP).

Garotinho promete reestruturar a Polícia Civil, com mais delegados, inspetores, peritos e concurso específico para a área técnico-científica. Crédito: Divulgação.

Retomada de territórios

Agenda do Poder – Facções criminosas e milícias controlam territórios, exploram serviços clandestinos e impõem regras à população. Qual é o seu plano para recuperar essas áreas de forma permanente e quais metas pretende cumprir nos primeiros dois anos de governo?

Garotinho –  Vou criar o projeto Bope 2.0 que ocupará o terreno, as forças federais farão cerco dos acessos, Polícia Civil entrará junto com Bope 2.0 para iniciar o serviço de investigação, baseado na inteligência que foi realizada previamente. Não é a comunidade que vai entregar os bandidos. Vai existir um canal de denúncia caso a comunidade queira denunciar.

 A tropa federal, armada, será responsável pelo cerco. Após a estabilização do terreno é que a tropa social irá entrar. O Bope 2.0 irá permanecer no local até o domínio total da área. Depois ele sai, deixando para o batalhão da área a responsabilidade pela manutenção da paz. A tropa social entrará com órgãos como Defensoria Pública, MP, Ministério do Trabalho, Saúde, Educação, Cultura e outros.

Operações policiais e câmeras

Agenda do Poder – O que o seu governo pretende fazer para tornar as operações policiais mais eficientes, evitando as mortes de moradores e agentes e tornando obrigatória o uso de câmeras corporais? Pretende adotar e divulgar indicadores para que a população acompanhe os resultados?

Garotinho – Antes de qualquer ocupação, o serviço de inteligência irá mapear o terreno e os focos de reunião de traficantes, identificando possíveis paióis e drogas, para alimentar o planejamento com dados de forma que a ocupação seja cirúrgica, com objetivos definidos, a fim de evitar confrontos colocando em risco a vida da comunidade e de policiais.

Vamos devolver os benefícios retirados, pagar o adicional de risco e criar o Programa de Saúde Mental e Habitação para policiais.

Integração e combate ao dinheiro do crime

Agenda do Poder – O enfrentamento ao crime organizado exige inteligência e integração entre as polícias estadual e federal, Ministério Público e órgãos de controle financeiro. Como o seu governo vai coordenar as instituições da sua alçada e como vai interagir com as demais para prender lideranças, bloquear patrimônio e atingir as fontes de financiamento das organizações criminosas?

Garotinho – Vamos usar de inteligência e integração para atingir o financiamento do crime. A nossa proposta é despolitizar e integrar. Vamos criar o Gabinete Integrado de Combate ao Crime Organizado, coordenado pelo Governador, com Polícia Civil, PM, Polícia Penal, MP Estadual, com convênio permanente com Polícia Federal, Receita Federal, COAF e Gaeco.

O foco será feito em três eixos: prender lideranças, bloquear patrimônio e asfixiar financiamento. A Polícia Civil vai ter departamento exclusivo de lavagem de dinheiro de facções e milícias, para bloquear contas, imóveis e empresas de fachada que exploram serviços clandestinos.

Valorização dos policiais

Agenda do Poder – Policiais civis, militares e penais convivem com riscos elevados, defasagem de efetivo e necessidade constante de treinamento e modernização de equipamentos. Quais medidas o senhor adotará para valorizar os agentes? Pretende realizar concursos?

Garotinho – Atualmente, temos uma defasagem de efetivo de mais de 8 mil homens. Vamos realizar concursos imediatos para Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal já no primeiro semestre de governo. Vamos devolver os benefícios retirados, pagar o adicional de risco e criar o Programa de Saúde Mental e Habitação para policiais.

Vamos modernizar a instituição com novos coletes e viaturas, blindados com manutenção em dia, armamento atualizado e treinamento trimestral no Centro de Formação com instrutores do BOPE e CORE. Vamos fazer um plano de carreira com promoção por mérito e tempo, não por indicação política.

Corrupção nas forças de segurança

Agenda do Poder – O que o senhor pretende fazer para combater a corrupção dentro das forças de segurança do Estado? Vai punir os policiais que se aliarem ao crime ou cometerem atos graves contra os cidadãos ou vai permitir a prática do corporativismo?

Garotinho – Vai ser criada uma Corregedoria Geral externa para evitar o corporativismo e proporcionar decisões imparciais baseadas em fatos e provas. Se houver desvio de conduta, haverá aplicação do regulamento disciplinar com direito de defesa e se for o caso, aplicação do Código Penal no caso de cometimento de crime.

Vamos implementar o protocolo de investigação de feminicídio e desaparecimento em até 48h, com prioridade absoluta.

Investigação e impunidade

Agenda do Poder – Os índices de não resolução de crimes pela polícia fluminense é superior a 70%, segundo dados do Instituto Segurança Pública (ISP). Que medidas serão adotadas para ampliar a capacidade de investigação da Polícia Civil, melhorar a perícia e aumentar o esclarecimento de homicídios, desaparecimentos, feminicídios e outros crimes graves?

Garotinho – O nosso objetivo é melhorar essa taxa de 70% sem resolução. O ponto central do nosso programa é fortalecer a Polícia Civil como polícia investigativa, não apenas reativa. Vamos reestruturar a Polícia Civil: mais delegados, inspetores e peritos. Concurso específico para Polícia Técnico-Científica.

Vamos criar quatro Centrais de Homicídios, Feminicídios e Desaparecimentos (Capital, Baixada, Niterói/São Gonçalo e Interior – Campos), com peritos, delegados e promotores no mesmo prédio.

Vamos criar os laboratórios de perícia com DNA e balística regionalizados e sistema de metas. Vamos reduzir de 70% para 40% o índice de não resolução em 2 anos, com divulgação mensal no site do ISP.

No nosso governo, vamos implementar o protocolo de investigação de feminicídio e desaparecimento em até 48h, com prioridade absoluta.

Roubos de rua, veículos e cargas

Agenda do Poder – Roubos de rua, furtos de celulares, roubos de veículos e de cargas afetam diariamente moradores, trabalhadores e comerciantes. Qual será sua estratégia para reduzir esses crimes na capital, na Região Metropolitana, na Baixada Fluminense e no interior? Vai estipular metas a serem alcançadas?

Garotinho – Vão ser mapeadas as regiões com maior incidência de roubo a transeuntes e nestes locais, serão alocadas equipes de policiais fardados para realizarem o policiamento preventivo e equipes de policiais civis à paisana para realizarem investigações específicas de roubos de rua.

Com relação a roubo de veículos e cargas, sabemos que algumas comunidades são utilizadas para levar cargas e carros roubados. A primeira providência a ser tomada será cercar os acessos dessas comunidades para evitar a entrada de carro e cargas roubadas. Outra medida a ser tomada será fiscalização permanente dos chamados ferro-velhos, que costumam vender peças de carros roubados! Em relação ao roubo de cargas, uma medida a ser tomada será a investigação para descobrir quem são os receptadores dos produtos roubados. O efetivo da delegacia de carga (DRFC) e da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) será aumentado, pois o efetivo atual inviabiliza o serviço de investigação.

Presídios e comando das facções

Agenda do Poder – Presídios comandados por facções podem funcionar como centros de recrutamento e organização do crime. O que o senhor fará para impedir a comunicação ilegal nos presídios, separar lideranças, proteger os servidores penitenciários e punir os que se aliam ao crime? Pretende adotar projeto de reinserção na sociedade dos detentos que forem libertados após cumprirem pena?

Garotinho – No meu governo a ideia não é separar líderes de facções e sim deixá-los juntos. O trabalho prisional será um ponto prioritário, para que eles tenham oportunidade de emprego, de reingressar no mercado de trabalho após cumprir suas penas. Em relação ao menor infrator, ele terá cursos técnicos, tecnológicos e ações sócio educativas para que eles possam sair de lá prontos para voltar ao convívio em sociedade e com preparo para o mercado de trabalho, com intuito de evadir a vida do crime e recomeçar uma nova vida.

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