Anthony Garotinho (Republicanos) afirmou nesta sexta-feira (28) que continuará normalmente sua campanha ao Governo do Rio, apesar da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) que suspendeu seu acesso aos fundos eleitoral e partidário, à propaganda gratuita no rádio e na televisão e a participação em debates. O ex-governador classificou as restrições como uma “dificuldade momentânea” e disse confiar na reversão da medida.
Durante coletiva de imprensa no Centro do Rio, Garotinho também fez duras críticas ao funcionamento das instituições estaduais. Para ele, as decisões judiciais que atingiram sua candidatura fazem parte de um ambiente institucional que precisa ser enfrentado.
“O Rio hoje tem instituições apodrecidas. Problemas seríssimos envolvendo corrupção, polícia. Quando aparece um candidato que quer enfrentar essa situação, querem tirar da disputa”, afirmou.
A decisão que restringiu a campanha foi tomada por unanimidade pelo TRE-RJ. A Corte, no entanto, ainda não julgou o mérito do pedido de registro da candidatura de Garotinho.
Campanha continuará nas ruas
Apesar das restrições, Garotinho garantiu que não interromperá compromissos, agendas ou atividades de rua. O candidato afirmou que sua defesa já trabalha para tentar reverter as decisões nas instâncias superiores.
“Minha campanha vai prosseguir normalmente. Toda agenda será feita até porque tenho certeza que os tribunais superiores não vão referendar essa decisão”, declarou.
O ex-governador classificou a situação como uma tentativa de criar uma “dificuldade momentânea de campanha” e contestou o fato de as restrições terem sido impostas antes do julgamento definitivo de seu registro.
“É a primeira vez que alguém aplica uma punição antes do julgamento. Mesmo com recurso, eu poderia continuar. O julgamento da minha candidatura não está nem marcado ainda”, afirmou.
Garotinho também disse acreditar que as decisões tomadas no Rio serão revistas. “Essas decisões teratológicas do Rio de Janeiro vão ser vistas nas esferas superiores”, declarou.
Disputa sobre a inelegibilidade
O impasse jurídico gira em torno de uma condenação por improbidade administrativa que transitou em julgado em 2025. Há o entendimento de que Garotinho estaria inelegível por oito anos em consequência dessa decisão.
A defesa sustenta uma interpretação diferente. Os advogados argumentam que o prazo começou a contar em 2018, quando houve condenação em segunda instância. Nessa hipótese, a inelegibilidade já teria terminado e não impediria a candidatura em 2026.
O TRE-RJ ainda terá de analisar especificamente o registro da candidatura. Enquanto isso, a decisão liminar mantém Garotinho afastado da propaganda eleitoral gratuita, dos debates e do acesso aos recursos eleitorais e partidários.
Nesta sexta-feira, porém, o nome e o número de Garotinho apareceram em programas eleitorais do Republicanos que já estavam gravados. O candidato afirmou que desconhecia a exibição e que providências foram adotadas assim que tomou conhecimento do episódio.
“Eu fui saber disso agora há pouco. E já foram tomadas as providências”, explicou.
Sobre a iniciativa da coligação de Eduardo Paes (PSD) de levar o episódio à Justiça, Garotinho reconheceu o direito do adversário de questionar a veiculação.
“Eu espero que isso seja resolvido como uma coisa normal, que pode acontecer. Porque também ninguém esperava uma decisão ontem. A propaganda já estava gravada”, disse.
Garotinho ainda criticou Paes e Douglas Ruas (PL), seus adversários na corrida pelo Palácio Guanabara, e tentou se apresentar como alternativa aos dois. “Se chamar de Eduardo Ruas ou Douglas Paes, para eles tanto faz. São todos iguais. A estrutura corrupta e viciada que funcionou no governo Castro vai continuar tanto com Ruas quanto com Paes”, afirmou.







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