A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio (Seap) realizou nesta quinta-feira (14) a 18ª edição do concurso de beleza “Garota Talavera Bruce”. O evento já é uma tradição no calendário cultural do sistema prisional do Rio de Janeiro e tem como objetivo apoiar o processo de ressocialização, incentivando a autoestima das detentas que mantêm bom comportamento. Conhecido popularmente como “Miss TB”, o concurso visa promover a valorização pessoal das participantes.
O “Garota TB” foi criado em 2004 e, desde então, atrai a atenção de diversas entidades e profissionais. Este ano, o júri foi composto por representantes da imprensa, integrantes de movimentos sociais (incluindo o AfroReggae), membros do Poder Judiciário e da Defensoria Pública.
“Ao proporcionar às custodiadas a chance de expressar sua personalidade na presença de familiares, o concurso também representa um importante reencontro com sua identidade feminina”, explicou a secretária da Seap, Maria Rosa Lo Duca Nebel. Ela acrescentou que, para muitas participantes, essa identidade foi apagada antes da prisão, geralmente devido a experiências traumáticas com seus parceiros.
Na edição de 2024, 10 internas do presídio Talavera Bruce participaram do concurso, que teve como tema a canção dos Beatles “All You Need is Love” (“tudo o que você precisa é amor”, em tradução literal). O evento incluiu um desfile inédito de vestidos de noiva, além do tradicional desfile com trajes de gala, onde as participantes puderam se apresentar na passarela, destacando sua autoestima e personalidade.
— Para mim, é uma honra poder compor o júri deste evento. O Garota Talavera Bruce é muito mais do que um concurso de beleza, representa uma oportunidade para que essas mulheres resgatem a confiança em si mesmas e possam ressignificar as suas trajetórias. Dá para ver que tudo é feito com muito amor e respeito, estou impactado com o que presenciei aqui hoje — ressalta o jornalista Bruno Chateaubriand, um dos jurados.
A vencedora do Miss TB 2024 foi a Katiuscia Torres, uma das dez finalistas escolhidas em um universo de mais de 390 candidatas apenadas.
As semanas que antecederam o concurso foram o período de preparação que mobilizou o efetivo carcerário da unidade. As participantes puderam ensaiar na passarela, provar figurinos e testar penteados e maquiagens. Além da coroação e entrega da faixa, a ganhadora recebeu como premiação um kit especial com roupas, acessórios e uma escova de cabelo. A segunda colocada ganhou uma escova e uma prancha de cabelo, enquanto a terceira, um ventilador.
Além da secretária Maria Rosa e do jornalista Bruno Chateaubriand, o júri deste ano foi composto pela Major da Polícia Militar, Tatiana Lima, a Presidente do Conselho Penitenciário, Sandra Almeida, a Procuradora de Justiça do Estado, Carla Araújo, o Defensor Público, Leonardo Guida, e da Diretora Social do AfroReggae, Karlinha Soares.
— A gente entende e percebe que a Seap está pavimentando um caminho de transformação neste lugar. Trabalhar a autoestima das mulheres do cárcere é fundamental. A gente sabe como elas chegam, como é o processo, e estar aqui hoje, vendo que o caminho que estão construindo, é muito gratificante. Eu estou muito feliz e quero parabenizar todos os envolvidos por esse trabalho — disse Karlinha Soares, do AfroReggae.
Com informações de O Globo.





