Um celular foi encontrado na cela da ex-deputada federal, pastora e cantora gospel Flordelis dos Santos, no final da noite de quarta-feira (04/12), na Penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Além de Flordelis, outras três detentas ocupavam o mesmo espaço.
Após o flagrante, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) determinou que as quatro fossem levadas ao isolamento na unidade, além da suspensão de todos os benefícios que possuíam, como visitas íntimas e aulas de crochê.
A descoberta levou a Seap a abrir uma investigação para apurar o caso com as quatro detentas. Além de Flordelis, estavam na cela: Fernanda Silva de Almeida, conhecida como “Fernanda Bumbum”; Alessandra Belmonte Sá; e Ana Carolina Fonseca Tavares da Silva. Durante os interrogatórios, Ana Carolina assumiu ser a dona do celular, embora o aparelho tenha sido encontrado embaixo da cama de Alessandra.
O celular foi apreendido e encaminhado à 34ª DP (Bangu) para análise. Flordelis negou ter utilizado o aparelho na prisão.
Quem são as colegas de cela de Flordelis
No fim do ano passado, Fernanda Silva de Almeida foi condenada a 20 anos de prisão em regime fechado e oito anos em regime semiaberto pelo homicídio de Marcilene Soares Gama. A vítima e Fernanda disputavam o mercado ilegal de estética, conflito que culminou no assassinato de Marcilene em 22 de julho de 2017. O corpo da vítima foi encontrado no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A rivalidade entre as duas era tão intensa que chegou a ser chamada de “guerra do silicone”.
Já Alessandra Belmonte Sá foi condenada por estelionato. Presa desde 2008, ela fazia parte de uma organização criminosa conhecida como “Máfia dos Títulos”, acusada de lesar pessoas com falsas promessas de lucros envolvendo a venda ou transmutação de títulos de empresas idôneas já falidas ou extintas. Alessandra foi condenada a uma pena de 120 anos de prisão, segundo a Seap.
A outra detenta da cela, Ana Carolina Fonseca Tavares da Silva, foi condenada a 21 anos e quatro meses de prisão pelo crime de tortura.
Flordelis participa de concurso na cadeia
Flordelis está presa desde agosto de 2021, cumprindo pena de 50 anos e 28 dias pelo assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, ocorrido em junho de 2019. Ela foi condenada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, uso de documento falso e associação criminosa armada.
Em agosto de 2024, a Justiça concedeu a remição de 177 dias de sua pena devido à participação em atividades educacionais e leitura durante o período de detenção. Flordelis também participava de um curso de crochê oferecido na Penitenciária Talavera Bruce.
Outro benefício que ela usufruía era o direito a visitas íntimas. Seu namorado é o produtor musical Allan Soares, de 25 anos, como ela própria confirmou ao blog Segredos do Crime durante o Concurso “Voz da Liberdade”, realizado no último dia 28. Na ocasião, Flordelis participou da disputa musical com outras 16 detentas, mas não venceu.
Esta não foi a primeira vez que policiais penais flagraram um celular na cela de Flordelis. Em 11 de maio de 2022, enquanto aguardava seu julgamento pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo, a ex-deputada foi encontrada com outro dispositivo. Naquela ocasião, ela admitiu ter usado o aparelho para conversar com o namorado. Sua defesa argumentou que Flordelis teria usado o celular apenas uma vez, sob “chantagem” e ameaças, embora não tenha revelado quem a teria coagido.
Com a recente apreensão, ocorrida na quarta-feira, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) instaurou uma sindicância para investigar quem introduziu o celular na cadeia e quem o utilizou. A posse de dispositivos eletrônicos é proibida no sistema prisional, e a violação dessa regra acarreta sanções, como a suspensão de privilégios e o isolamento temporário. Infrações desse tipo também podem impactar negativamente futuros pedidos de redução de pena ou progressão de regime.
Com informações de O Globo





