Os 15 influenciadores suspeitos de envolvimento em um esquema de divulgação de jogos de azar na internet, fechavam pacotes de publicidade para divulgar as casas de aposta e lucravam com o valor perdido por seguidores que se cadastravam por meio de seus links. Juntos, movimentaram R$ 40 milhões em apenas dois anos.
De acordo com a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), havia dois tipos principais de contratos: pacotes com número fixo de postagens e acordos baseados no número de cadastros e valores perdidos em apostas feitas pelas vítimas.
“Esses influenciadores recebiam recursos por publicidades pagas po plataformas que disponibilizam esses jogos. Esse grupo de influenciadores, em 2 anos, movimentou R$ 40 milhões […] Determinado número de postagens, determinado número de vinculações, você ganha um valor pré-determinado. E outra forma é um contrato de ganhos variados, a partir do número de cadastros no link divulgado e o número de valores apostados e perdidos através desse link”, explica do delegado Renan Mello, responsável pelas investigações.
Segundo a polícia, os acordos eram intermediados por cooptadores da organização criminosa, que se apresentavam como agenciadores.
“Eles já estão em uma posição um pouco acima. Essas pessoas não são famosas na internet, e elas se fazem de uma suposta posição de agenciadores quando, na verdade, eles são a ponte entre plataformas de exploração de jogos ilegais e influenciadores que estão dispostos, por ganância, a ganhos fáceis em detrimento do bem-estar dos seus seguidores”, explica o delegado.
As investigações apontam que os influenciadores promoviam os jogos por meio de promessas falsas de lucros rápidos e exibiam nas redes sociais um padrão de vida incompatível com a renda declarada, com viagens internacionais, imóveis de alto padrão e carros de luxo.
As investigações tiveram início após milhares de denúncias registrada em diferentes delegacias do estado sobre rifas fraudadas e pessoas que ganhavam a aposta mas não recebiam o valor. A polícia suspeita de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no esquema.
“Eles fazem parte parte de uma rede financeira que, dentro de uma rede lícita e ilícita, movimentou em quatro ano R$ 4,5 bilhões. A gente acredita que, dentro desse valor, ainda existem mais recursos oriundos de atividades ilícitas”, detalha Mello.
Os agentes cumpriram 31 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio, São Paulo e Minas Gerais. Foram apreendidos carros de luxo, joias, celulares e dispositivos eletrônicos.
Estrutura profissional e movimentações bilionárias
A DCOC-LD identificou uma estrutura bem organizada, com divisão clara de funções: operadores financeiros, responsáveis pela movimentação do dinheiro; influenciadores, que faziam a divulgação; e empresas de fachada, utilizadas para disfarçar a origem ilícita dos valores.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram transações bancárias suspeitas que ultrapassam R$ 4 bilhões. Ainda de acordo com a polícia, alguns dos investigados têm ligações com pessoas envolvidas em outras atividades criminosas.
Veja a lista dos alvos
- Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, a Bia Miranda: 9,7 milhões de seguidores no Instagram e no TikTok
- Paola de Ataíde Rodrigues, a Paola Ataíde: 6 milhões de seguidores
- Tailane Garcia dos Santos Laurindo, a Tailane Garcia: 4,5 milhões de seguidores
- Paulina de Ataíde Rodrigues, a Paulina Ataíde: 4,4 milhões de seguidores
- Maurício Martins Junior, o Maumau ZK: 3,5 milhões de seguidores
- Rafael da Rocha Buarque, o DJ Buarque: 2,8 milhões de seguidores
- Jenifer Ferracini Vaz, a Jenny Miranda: 1,2 milhão de seguidores
- Nayara Silva Mendes, a Nayala Duarte: 491 mil de seguidores
- Samuel Sant Anna da Costa, o Gato Preto: 412 mil de seguidores
- Lorrany Rafael Dias, a Lorrany Rafael: 343 mil de seguidores
- Vanessa Vatusa Ferreira da Silva, a Vanessinha Freires: 203 mil de seguidores
- Tailon Artiaga Ferreira Silva, o Mohammed MDM: 195 mil de seguidores
- Ana Luiza Ferreira do Desterro Guerreiro, a Luiza Ferreira: 112 mil de seguidores
- Micael dos Santos de Morais, da Agência MS: 15 mil de seguidores
Muitos deles, hora antes da operação, estavam divulgando links de aposta nas redes sociais. “A sensação de impunidade é tamanha, que essas atividades estavam visíveis aos olhos de qualquer pessoa” , destaca Mello.

As irmãs Paola e Paulina Ataíde foram conduzidas até a delegacia para prestar depoimento. Elas não falaram com a imprensa.
Bia Miranda, que não estava em casa no momento em que os policiais foram cumprir os mandados, postou um storie em seu perfil do Instagram. Na filmagem, ela diz estar na Bahia e que vai sair para comprar biquínis, sem mencionar as acusações.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.






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