Galípolo compara banco Master à ‘3ª divisão’ financeira e e minimiza riscos ao sistema

o: Presidente do BC afirma que instituição não tinha porte para provocar risco sistêmico, mas diz que uso dos recursos ligados a Vorcaro gera preocupação

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira que o banco Master não representava ameaça relevante ao sistema financeiro nacional por conta de seu porte reduzido. Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o chefe da autoridade monetária declarou que o que mais provoca preocupação no caso são os indícios envolvendo o uso dos recursos movimentados pela instituição financeira.

Ao comentar o tamanho da instituição no mercado, Galípolo comparou o Master, que era comandado por Daniel Vorcaro, a um time de menor expressão dentro do sistema financeiro. “Um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico”, afirmou. Segundo ele, a instituição representa menos de 0,5% do patrimônio total do setor bancário brasileiro.

Apesar de minimizar os impactos estruturais da situação para o mercado financeiro, o presidente do BC ressaltou que o foco das preocupações está na utilização do dinheiro movimentado pelo banco. “Concordo que isso está consternando as pessoas. Não é o passivo [dívida do Master]. Mas o que foi feito com o dinheiro”, declarou.

Relação com filme sobre Jair Bolsonaro

O caso ganhou novos desdobramentos após a revelação de que Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As negociações teriam contado com contatos diretos do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto.

De acordo com as informações divulgadas, Vorcaro chegou a desembolsar cerca de R$ 61 milhões para o projeto audiovisual. Embora Galípolo não tenha citado diretamente o financiamento do filme durante a audiência, o episódio ampliou a pressão política e institucional sobre o caso.

Banco Central monitorava atuação do Master

Questionado por senadores sobre reuniões realizadas por Daniel Vorcaro no Banco Central e sobre a atuação de ex-servidores da autarquia ligados às irregularidades investigadas, Galípolo afirmou que a fiscalização do BC intensifica o monitoramento quando identifica indícios de práticas inadequadas.

“O BC não pode dizer que alguém cometeu fraude, isso cabe à Justiça e ao Ministério Público. Mas, com as evidências que tínhamos, tinha que haver um acompanhamento mais próximo”, declarou.

O presidente do Banco Central também explicou que, à época de parte dos episódios investigados, ainda exercia o cargo de diretor de Política Monetária da instituição. Segundo ele, diante das suspeitas levantadas, o BC passou a impor restrições à atuação do banco Master.

Pressão política e repercussão

O caso envolvendo Vorcaro provocou forte repercussão política em Brasília, especialmente após a divulgação das conexões com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Parlamentares da oposição e integrantes do mercado financeiro passaram a cobrar explicações sobre a fiscalização exercida pelo Banco Central e sobre a relação do banqueiro com autoridades públicas.

As declarações de Galípolo ocorreram em um momento de aumento da pressão sobre órgãos de controle e sobre a atuação das instituições financeiras em operações consideradas atípicas ou de elevado risco reputacional.

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