Galípolo presta contas no Senado e deve explicar juros e atuação do BC no caso Banco Master

Presidente do Banco Central participa de audiência nesta terça para detalhar política monetária, Selic e responder sobre fiscalização do Banco Master após intervenção.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa nesta terça-feira (19) de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A sessão faz parte da prestação periódica de contas prevista no regimento da Casa, que determina até quatro comparecimentos anuais do chefe da autoridade monetária ao Congresso Nacional.

Durante a apresentação, Galípolo deve detalhar o cenário econômico brasileiro, comentar decisões recentes sobre a taxa Selic e apresentar perspectivas para inflação, atividade econômica e estabilidade financeira no país.

A audiência ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre o Banco Central após a liquidação do Banco Master, determinada pela instituição em dezembro de 2025.

Caso Banco Master deve dominar questionamentos dos senadores

Além das explicações sobre política monetária, parlamentares pretendem cobrar esclarecimentos sobre a atuação do Banco Central na fiscalização do Banco Master.

Segundo o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o BC teria emitido 23 alertas de irregularidades ao banco antes da intervenção, sem adoção de medidas mais duras ao longo dos anos.

Renan afirmou que a demora na ação levanta dúvidas sobre a supervisão da instituição e sobre possíveis falhas no acompanhamento regulatório do sistema financeiro.

O senador também criticou o tratamento dado por Galípolo ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, citado em discussões envolvendo supostas irregularidades durante sua passagem pelo setor bancário.

Galípolo também vai explicar corte recente da Selic

Outro foco da audiência será a condução da taxa básica de juros. No fim de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano.

Apesar do corte, a ata da reunião destacou preocupação com deterioração das expectativas econômicas de longo prazo e impactos provocados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.

A expectativa é de que Galípolo detalhe quais fatores influenciaram a decisão e como o Banco Central avalia os próximos passos da política monetária.

A redução da Selic ocorreu em um cenário de desaceleração econômica e aumento das incertezas externas, elementos que seguem no radar da autoridade monetária.

Senado amplia investigação sobre operações ligadas ao Master

Em fevereiro, a Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo de trabalho para investigar suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master.

Segundo Renan Calheiros, o colegiado ainda aguarda documentos solicitados ao Banco Central sobre o processo de intervenção e fiscalização.

No início de maio, os senadores aprovaram requerimentos para convocar o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), que deverá apresentar documentos e informações sobre operações envolvendo a aquisição de carteiras financeiras vinculadas ao Banco Master.

Também foi aprovado pedido para que o presidente do Banco de Brasília (BRB) entregue informações sobre contratos e operações realizados pela instituição nos últimos oito anos.

A ofensiva da comissão amplia o cerco sobre operações financeiras relacionadas ao caso e pode gerar novos desdobramentos políticos e regulatórios nas próximas semanas.

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