Fraudes no INSS: PF acha apelidos de ex-dirigentes e deputado em planilhas

PF identifica ex-cúpula do INSS e deputado citados por apelidos em planilhas de operadores financeiros ligados a esquema milionário.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no inquérito que apura um esquema de desvio de aposentadorias e pensões do INSS apontam que operadores financeiros utilizavam apelidos para se referir a integrantes da antiga cúpula do órgão e a um deputado federal investigado. Segundo os autos, planilhas trocadas entre membros do “núcleo financeiro” e dirigentes da Conafer listavam os nomes codificados.
O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto era identificado como “Italiano”, o ex-diretor André Fidelis como “Herói A”, o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho como “Herói V” e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) como “Herói E”.

Prisões e buscas na nova fase da Operação Sem Desconto
Stefanutto e Fidelis foram presos nesta quinta-feira (13) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Pettersen foi alvo de busca e apreensão, mas o pedido para colocá-lo em monitoramento eletrônico foi negado.
A defesa de Stefanutto disse que a prisão é “completamente ilegal” e que ele tem colaborado com as apurações, afirmando que provará inocência. Já a defesa de Virgílio destacou que ele se apresentou voluntariamente à PF.

Conafer é foco desta etapa da investigação
A nova fase da operação mira a atuação da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), suspeita de realizar descontos associativos irregulares.
De acordo com a PF, a organização criminosa era dividida em três núcleos — comando, financeiro e político/de apoio — este último integrado por parlamentares e assessores, incluindo Pettersen.

Desvio pode ter superado R$ 640 milhões
O inquérito aponta que a Conafer recebeu mais de R$ 708,3 milhões do INSS, dos quais R$ 640,9 milhões foram desviados para empresas de fachada e contas controladas por operadores financeiros do esquema.
Cícero Marcelino, empresário preso nesta quinta, é apontado como o principal articulador financeiro. Segundo a PF, ele criou diversas empresas de fachada para receber e redistribuir os valores desviados.

Planilhas revelam repasses e codinomes
As planilhas e mensagens apreendidas mostram que os operadores usavam codinomes para identificar destinatários de recursos. Os valores registrados nos documentos coincidem com movimentações bancárias analisadas pelos peritos.
O ministro André Mendonça destacou que contas ligadas às empresas de Cícero recebiam pagamentos exatamente nas datas e quantias mencionadas nos documentos apreendidos com o presidente da Conafer, Carlos Lopes. A investigação aponta que valores expressivos foram repassados a servidores públicos e agentes políticos.

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