A França vive o 10º dia de protestos maciços contra a impopular reforma da Previdência do presidente francês Emmanuel Macron — que aumenta a idade mínima para aposentadoria de 62 para 64 anos —, aprovada por decreto há duas semanas após uma manobra controversa do governo.
Cerca de 450 mil pessoas foram às ruas em Paris nesta terça-feira, segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), um dos principais sindicatos do país. Estimativas da polícia parisiense, no entanto, indicam 93 mil participantes.
Manifestantes atearam fogo em pilhas de lixo,que acumularam na capital em decorrência das três semanas de greve municipal dos garis.
Ao menos 23 pessoas foram presas até o momento e confrontos com a polícia foram registrados.
As autoridades fecharam os arredores da Torre Eiffel, principal ponto turístico da cidade, nesta terça-feira.
O Arco do Triunfo, no alto do Champs-Elysées, e o Palácio de Versalhes também estão com as entradas bloqueadas. O Louvre, museu mais movimentado do mundo, está fechado desde segunda-feira pelos próprios funcionários, que protestam contra a reforma da Previdência.
O Ministério do Interior mobilizou um contingente de 13 mil policiais nas ruas para conter possíveis atos de violência — 10 mil só na capital francesa.
Segundo o ministro da pasta, Gérald Darmanin, esta é uma “operação de segurança sem precedentes”, levantando suspeitas sobre a presença de “mais de 10 mil radicais, alguns vindos do exterior” em Paris.
Em Rennes, comuna francesa na região da Bretanha, manifestantes paralisaram o trânsito com pilhas de lixo em chamas, interromperam as linhas de trem e bloquearam a principal garagem de ônibus da cidade.
Imagens mostram uma enorme nuvem de fumaça sobre as ruas e um congestionamento de 45 quilômetros, segundo a Prefeitura.
Confrontos entre policiais e manifestantes também foram registrados em Bordeaux, Toulouse, Lyon e Estrasburgo, onde bombas de gás lacrimogêneo se misturaram à fumaça dos incêndios provocados pela população.
As manifestações contra a reforma desta terça-feira também suspenderam os voos nos aeroportos de Montpellier e Quimper durante a manhã e parte da tarde.
Devido à greve dos controladores de avião, o governo pediu que 20% dos voos para Paris, Marselha, Toulouse e Bordeaux fossem cancelados preventivamente até quarta-feira.
A paralisação da categoria, no entanto, também afeta os centros de controle, que administraram o espaço aéreo francês, impactando todo o tráfego europeu.
De acordo com observadores da Liga dos Direitos do Homem (LDH), associação de ONGs de direitos humanos francesa, as forças de segurança têm adotado uma nova tática para minar os protestos, fragmentando-os em vários grupos menores para tirar sua força.
As informações são do Globo online.





