O presidente francês Emmanuel Macron nomeou nesta terça-feira (9) o ministro da Defesa, Sébastien Lecornu, como novo primeiro-ministro. Ele substitui François Bayrou, destituído pelo Parlamento após apenas nove meses no cargo. A escolha ocorre poucas horas após a renúncia de Bayrou e dias antes de uma onda de protestos marcada nas redes sociais com o lema “Vamos bloquear tudo”.
Missão difícil: construir acordos no Parlamento
Segundo comunicado do Palácio do Eliseu, Macron pediu a Lecornu que dialogue com as forças políticas representadas na Assembleia Nacional para viabilizar a aprovação do orçamento e buscar “acordos essenciais” para os próximos meses. A tarefa não será simples: desde as eleições legislativas de 2024, a Câmara está dividida entre três grandes blocos — esquerda, centro-direita e extrema direita — sem uma maioria consolidada.
Lecornu, aliado leal de Macron, assume em meio à tensão social
Aos 39 anos, Lecornu comandou a pasta da Defesa por mais de três anos, período marcado pela invasão russa da Ucrânia, e é considerado um aliado discreto e fiel ao presidente. Sua nomeação representa uma tentativa de manter certa continuidade no governo, apesar das sucessivas trocas no cargo de primeiro-ministro.
Protestos e risco de nova crise política
A destituição de Bayrou está diretamente ligada ao fracasso de seu plano de cortes orçamentários, que previa a redução de € 44 bilhões (cerca de R$ 282 bilhões), incluindo a eliminação de dois feriados. A medida provocou forte reação popular e reacendeu a insatisfação social. Para quarta-feira (10), movimentos de esquerda e sindicatos convocaram atos nacionais, com bloqueios em estradas, empresas e universidades. As autoridades mobilizaram cerca de 80 mil policiais para conter possíveis tumultos.
Oposição pressiona e cogita destituir Macron
O partido França Insubmissa (LFI), de orientação radical, apresentou uma moção para tentar derrubar o presidente, embora não haja apoio suficiente para aprová-la. Uma pesquisa da Odoxa-Backbone indica que 64% dos franceses desejam a saída de Macron. Enquanto isso, socialistas exigem a suspensão da reforma da previdência de 2023 e defendem aumento de impostos sobre grandes fortunas, criando novos desafios para o Palácio do Eliseu.
Risco de repetição do movimento dos ‘coletes amarelos’
A tensão nas ruas preocupa o governo. O ministro do Interior, Bruno Retailleau, alertou para um “setembro de atrocidades”, em referência ao potencial de mobilização similar ao dos protestos dos “coletes amarelos” (2018-2019), que marcaram o primeiro mandato de Macron. Greves gerais também estão previstas para 18 de setembro, sinalizando que a França pode enfrentar um novo período de forte instabilidade.






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