Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece em fotografias ao lado da lobista Roberta Luchsinger durante viagens e eventos. As imagens foram divulgadas nesta quarta-feira (21) pela revista Veja. Os dois são investigados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência na intermediação de contratos com o governo, mas negam qualquer irregularidade.
Uma das fotografias mostra Lulinha e Roberta a bordo de um jatinho Embraer Praetor 600, aeronave avaliada em mais de US$ 20 milhões. Segundo a publicação, o registro foi feito durante uma viagem à Finlândia no início de 2025.
Outra imagem reúne os dois ao lado do empresário Marcelo Checon, proprietário da MChecon Design e Cenografia, durante uma comemoração.
Empresa ampliou contratos com o governo
De acordo com a reportagem da Veja, a empresa de Checon firmou 13 novos contratos com o governo federal nos últimos três anos. No período, o faturamento teria aumentado 323 vezes, alcançando R$ 63 milhões.
As fotografias divulgadas mostram a proximidade entre Lulinha e Roberta em diferentes ocasiões. Os registros foram publicados em meio às investigações sobre as relações dos dois e possíveis intermediações de contratos com o governo federal.
Procurado, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, negou que seu cliente tenha cometido irregularidades. Segundo ele, as viagens ocorreram em razão da amizade entre Lulinha e Roberta. O advogado também questionou a divulgação das imagens às vésperas das eleições.

Defesa de Lulinha contesta investigação
Carvalho afirmou que a tentativa de atribuir responsabilidade à empresária não procede e classificou a apuração como uma busca genérica por provas. A defesa sustenta que não há elementos que caracterizem crime ou ato de ofício relacionado às suspeitas.
O advogado também questionou a condução das investigações e declarou que, na avaliação da defesa, não há um caso criminal propriamente dito.
O jornal O Globo informou que também procurou a defesa de Roberta Luchsinger.
Polícia Federal pede mais prazo para investigações
Na terça-feira (20), a Polícia Federal solicitou a prorrogação do prazo de duas investigações envolvendo Lulinha e Roberta. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos dois inquéritos na Corte.
Há ainda uma terceira investigação envolvendo os dois, sob relatoria do ministro Flávio Dino. Em nota, a defesa de Lulinha classificou a solicitação como uma manifestação de “pesca probatória”, expressão utilizada para contestar investigações que, segundo os advogados, buscam provas sem delimitação adequada de um alvo.
A PF também solicitou à sua área técnica informações sobre os vínculos societários de Lulinha, suas movimentações bancárias e registros de agendas dele e de outros investigados em órgãos públicos.
Investigadores levantam viagens e vínculos societários
Os investigadores pediram ainda o levantamento das viagens realizadas por Lulinha, Roberta e outros alvos das apurações, tanto no Brasil quanto no exterior.
Em ofício, a Polícia Federal justificou a necessidade de ampliar o prazo pela existência de diligências ainda não concluídas. O pedido foi apresentado no início de outubro, após o encerramento do prazo inicial de 60 dias.
A corporação afirmou que o período transcorrido desde a determinação das medidas foi insuficiente para concluir os trabalhos investigativos.
Roberta afirma que Lulinha se reunia com ministros
No último sábado, Roberta Luchsinger concedeu entrevista à CNN na qual afirmou que Lulinha se reunia semanalmente com ministros do governo federal. A declaração foi feita no contexto das investigações sobre suspeita de tráfico de influência.
Na mesma entrevista, a empresária disse ter a intenção de fazer uma delação premiada e manifestou indignação com o andamento das apurações. Roberta afirmou ter se tornado um “boi de piranha”, expressão utilizada por ela para criticar o tratamento que considera estar recebendo nas investigações.
As suspeitas seguem sob apuração da Polícia Federal. Lulinha e Roberta negam irregularidades, e as diligências ainda estão em andamento.







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