Flávio intensifica ataques a Lula e retoma caso Lulinha após críticas à campanha

Integrantes da cúpula do PL cobram uma postura mais ofensiva do senador no segundo turno; propaganda el

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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensificou os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na propaganda eleitoral do segundo turno. A mudança ocorre após integrantes da cúpula do partido criticarem a estratégia de comunicação do senador e cobrarem uma postura mais ofensiva na reta final da disputa.

As novas inserções exploram o caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de temas como custo de vida e segurança pública. A estratégia também deverá ser levada aos debates entre os candidatos.

Parte dos dirigentes do PL avalia que Flávio tem adotado uma postura defensiva diante das acusações feitas pelo adversário. O grupo defende que o senador amplie as críticas ao governo e coloque Lula na posição de responder a questionamentos, sem abandonar a apresentação de propostas.

Campanha amplia ataques diretos ao presidente

A insatisfação interna está relacionada à diferença entre as estratégias dos dois candidatos. A propaganda petista tem associado Flávio ao caso Banco Master, às milícias e a episódios do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em contrapartida, o senador vinha concentrando sua comunicação em mensagens sobre mudança e prosperidade. Para integrantes do PL, a campanha precisa explorar com mais intensidade assuntos que possam provocar desgaste político ao presidente.

Uma das novas peças publicitárias retoma o caso Lulinha por meio da reprodução de uma conversa de Roberta Luchsinger, apontada como lobista ligada às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Inserção cita conversa sobre compra de bebidas

Na gravação utilizada pela campanha, Roberta afirma ser sócia do filho do presidente e menciona uma encomenda de R$ 18 mil em bebidas alcoólicas para uma comemoração de Ano-Novo em Brasília.

O vídeo faz referência a vinhos, champanhe e uísque e termina com a frase: “O luxo é deles, a conta é sua”. A inserção integra a ofensiva do senador contra Lula e retoma um assunto que a campanha considera capaz de atingir o presidente eleitoralmente.

Outra peça aborda o custo de vida e contrapõe uma declaração de Lula sobre mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros a depoimentos de consumidores que reclamam dos preços nos supermercados.

Uma das pessoas ouvidas afirma que, anteriormente, era possível encher um carrinho de compras com R$ 300. A propaganda termina com a mensagem: “Não caia nas mentiras do PT de Lula. É hora de mudar”.

Segurança pública entra na ofensiva eleitoral

A segurança pública também ganhou espaço nas inserções. Uma delas recupera declarações de Lula sobre a saída temporária de presos e apresenta uma reportagem sobre um detento do regime semiaberto procurado no Distrito Federal por suspeita de matar uma mulher e estuprar duas jovens após ser beneficiado pela saída temporária do Dia dos Pais.

A peça termina com a frase “Ninguém aguenta mais o Lula”, associando o presidente às críticas feitas pela campanha à política de segurança pública.

A estratégia também apareceu durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no Senado. Aliados de Flávio apresentaram uma emenda para reduzir de 18 para 14 anos a maioridade penal em casos de crimes hediondos e passaram a criticar Lula, afirmando que o presidente é contrário à mudança.

Publicações sobre o assunto foram encaminhadas ao grupo “Tropa do Flávio”, que reúne quase 2 milhões de apoiadores do senador. A iniciativa busca associar o petista à oposição a medidas de endurecimento penal defendidas pela campanha.

Flávio muda posição sobre escala 6×1

Outra frente de disputa é o fim da escala de trabalho 6×1, uma das principais bandeiras eleitorais de Lula. Depois de meses criticando a proposta e apontando riscos para o emprego e para as empresas, Flávio votou a favor da PEC aprovada pelo Senado na quarta-feira.

A mudança ocorreu após discussões internas no PL sobre o possível desgaste eleitoral de uma posição contrária à redução da jornada de trabalho.

Apesar do voto favorável, o senador não mencionou diretamente o tema no programa eleitoral de quinta-feira. A propaganda foi dedicada a promessas de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo, acesso ao crédito e criação de um Ministério da Prosperidade.

Propaganda prevê compensação para empresários

A redução da jornada de trabalho será abordada em uma nova peça prevista para o horário eleitoral de sexta-feira. Nela, Flávio promete compensar os empresários pelos custos associados à mudança por meio de cortes de impostos, redução dos juros e desoneração da folha de pagamentos.

Ao final da propaganda, o senador afirma: “O Brasil vai prosperar, e você vai ter mais tempo para sua família”.

A ampliação dos ataques a Lula ocorre após o aumento das críticas da campanha petista a Flávio, principalmente com referências ao caso Banco Master e ao governo Jair Bolsonaro. A mudança de estratégia busca responder à ofensiva adversária e ampliar a exploração de temas considerados relevantes para a disputa do segundo turno.

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