Feminicídio: mulher é encontrada morta e amarrada dentro de casa em São Gonçalo

Polícia Civil faz diligências para localizar companheiro de Cintia Barcelos Peres

Uma mulher foi encontrada morta com pés e mãos amarrados dentro da própria residência na madrugada desta terça-feira (30) em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O caso está sendo investigado como feminicídio. A Polícia Civil faz diligências para localizar o suspeito, com quem Cintia Barcelos Peres, 33, mantinha um relacionamento conturbado há quase dois anos. Peritos também já foram ao imóvel para analisar as evidências do crime.

Segundo a investigação, a vítima foi atacada com um violento soco ao sair do banho, que a deixou desacordada e com o rosto desfigurado. Após a agressão, o suspeito a deixou amarrada no local. Quando a polícia chegou no local, Cintia já estava morta. Ela deixa uma filha de 18 anos e um filho de 9.

O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios de vítimas mortas apenas por serem mulheres. O Rio de Janeiro divulgou no começo do mês o Dossiê Mulher, com dados estatísticos para auxiliar ações de combate ao feminicídio. Neste ano, o documento divulgou uma análise inédita do perfil dos agressores. Quase 60% deles tinham algum registro criminal. E, em 22,9% dos casos, havia consumido álcool ou drogas.

Mais de 154 mil vítimas de feminicídio no Rio em 2024

Segundo o relatório, elaborado com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), mais de 154 mil mulheres foram vítimas de violência no Rio em 2024. O documento traçou um perfil das vítimas de feminicídio: 66% das vítimas eram mães. E, em 12% dos casos, foram mortas na presença dos seus filhos. O dossiê revelou, ainda, que 2.834 mulheres foram perseguidas e assediadas no ambiente virtual no ano passado.

De janeiro a setembro deste ano, 1.075 mulheres foram vítimas de feminicídio, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. É o equivalente a um caso a cada seis horas no país. Outras 2,7 mil mulheres foram alvo de tentativas de assassinato no mesmo período, um aumento de 26% em relação ao ano anterior.

O relatório divulgado pelo Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios há uma semana na Comissão de Direitos Humanos, em Brasília, aponta “falhas graves na rede de atendimento”. O documento foi elaborado com a colaboração do Observatório da Mulher no Senado.

Em meio a esse universo, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou ainda 555 mil medidas protetivas concedidas pelos tribunais de Justiça do país com base na Lei Maria da Penha. E, mesmo com decisões judiciais obrigando o agressor a não se aproximar, 52 dessas mulheres foram assassinadas em 2024, revela o estudo.

Casos de feminicídio no Rio de Janeiro

Adrielle foi morta na Cidade de Deus | Crédito: Reprodução

Caso Adrielle – Adrielle Malaquias Messias, 17, foi assassinada neste domingo (30) ao ser atingida por cinco tiros dados pelo ex-namorado, que não aceitava o término do relacionamento. Ela vinha sendo perseguida e ameaçada nos dias anteriores ao crime. Após matar a ex, Alex Pereira de Souza, 29, fugiu, mas se apresentou à polícia em Angra dos Reis e foi preso. Ele também é investigado por associação ao tráfico.

Ronald Bezerra da Silva chegou a riscar a lataria do carro da vítima com uma faca / Crédito: Reprodução

Pix com ameaças à ex – Ronald Bezerra da Silva, 26 anos, foi preso nesta quarta-feira (3) por perseguir e ameaçar a ex-namorada em Nova Iguaçu, na Baixada. Bezerra fazia transferências Pix de centavos para intimidá-la. Em uma das mensagens, escreveu: “O que você fez comigo não tem perdão, eu vou te matar. Quando você menos esperar vai tomar um susto, quem estiver com você também”. Segundo a Polícia Civil, ele chegou a ir até a casa da vítima, danificando a lataria de sua moto com a frase ‘eu te amo’, riscada à faca.

Homem confessou matar cuidadora e jogou o corpo no Rio Acari | Crédito: Reprodução / Polícia Civil

Corpo encontrado no Rio Acari – Adriano Fernandes Castro, 41, foi preso nesta quinta-feira (4) pela morte de Flávia Ferreira Dornelles, que teve o corpo jogado no Rio Acari. Segundo parentes da vítima, Flávia e Adriano tinham um relacionamento. Adriano confessou o crime.

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