Facções terroristas: 62% dos brasileiros aprovam decisão dos EUA contra PCC e Comando Vermelho

A medida foi providencial para Flávio Bolsonaro, que conseguiu rapidamente se desvencilhar de uma pauta negativa para assumir o protagonismo de uma suposta articulação internacional de combate às facções criminosas brasileiras

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De Norte a Sul do país, a maioria dos eleitores aprovou a decisão do governo americano de declarar as duas principais facções criminosas brasileiras — o PCC e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas. É o que mostra a mais recente pesquisa da Vetor Arrow, que ouviu 3.022 pessoas neste fim de semana para medir a percepção da população sobre a medida.

De acordo com o levantamento, 62,14% dos brasileiros aprovaram a decisão, enquanto 37,86% a desaprovaram.

A pesquisa revela que, independentemente da região do país, os brasileiros estão exasperados com a escalada do crime organizado. De nada valeram os argumentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus aliados de que a medida fere a soberania nacional e representa uma potencial ameaça ao sistema financeiro, diante da possibilidade de sanções a instituições bancárias que utilizem o Pix em operações eventualmente vinculadas às organizações criminosas.

Com gradações naturais entre as regiões, a decisão do governo americano recebeu apoio majoritário em todo o país, inclusive em redutos historicamente favoráveis ao presidente Lula.

Diferentemente do tarifaço articulado por Eduardo Bolsonaro contra o Brasil, amplamente rejeitado pela população, a iniciativa do governo americano de enquadrar o PCC e o CV como organizações terroristas foi recebida de forma positiva pela opinião pública. As críticas de Lula à medida podem lhe custar apoio até mesmo em seu principal reduto eleitoral, o Nordeste. E reforçar, junto a parcela do eleitorado, o estigma de que a esquerda adota uma postura complacente em relação ao crime organizado

Do ponto de vista político, o anúncio foi providencial para Flávio Bolsonaro, que conseguiu rapidamente se desvencilhar de uma pauta negativa — relacionada ao pedido de recursos a Daniel Vorcaro para o financiamento de um filme sobre seu pai — para assumir o protagonismo de uma suposta articulação internacional de combate às facções criminosas brasileiras.

“Foi um golaço de Flávio. Ele saiu rapidamente de uma pauta negativa para assumir protagonismo no combate ao crime organizado. A aprovação praticamente unânime da medida demonstra que a população brasileira está cansada do avanço das organizações criminosas”, afirma Rodrigo Belthen, diretor da Vetor Arrow.

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Por região

Bastião do bolsonarismo, a Região Sul liderou o apoio à medida, com 71,32% de aprovação. Outro reduto de Jair Bolsonaro, o Norte registrou 69,06%. O Centro-Oeste também apresentou forte adesão à iniciativa, com 60,33%.

No Sudeste, berço das duas facções criminosas, o índice de aprovação cai ligeiramente para 59,85%, reforçando a percepção de que a segurança pública continua sendo uma das principais preocupações dos brasileiros.

Fortaleza eleitoral de Lula, o Nordeste registrou o menor índice de aprovação, ainda assim majoritário: 59,69%.

Por gênero

O resultado espelha, em certa medida, a divisão política observada entre lulistas e bolsonaristas. A medida do presidente Donald Trump foi mais aprovada entre os homens (66,14%) do que entre as mulheres (58,63%).

Por faixa etária

A análise por idade revela inversões significativas entre os eleitores mais velhos em algumas regiões. No Norte, os entrevistados com 70 anos ou mais se posicionam majoritariamente contra a medida, com apenas 31,70% de aprovação, enquanto entre os jovens de 16 a 34 anos o apoio alcança 78,81%.

Fenômeno semelhante ocorre no Centro-Oeste, onde os eleitores com 70 anos ou mais também se mostram mais resistentes à iniciativa, registrando 46,89% de aprovação, o que configura maioria contrária à medida nessa faixa etária.

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