Extrema direita ganha força na Colômbia com candidato fã de Trump, Milei e Bukele

Advogado e empresário Abelardo de la Espriella cresce nas pesquisas e promete mudanças no país, hoje governado pela esquerda

A poucos dias das eleições presidenciais na Colômbia, marcadas para este domingo (31), um dos nomes que mais chamam atenção no cenário político do país é o do advogado e empresário Abelardo de la Espriella. Sem experiência em cargos eletivos, o candidato da extrema direita aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto e desponta como um dos favoritos para avançar ao segundo turno.

Com um discurso fortemente alinhado à direita conservadora e inspirado em lideranças como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, De la Espriella construiu sua candidatura apresentando-se como uma alternativa aos partidos tradicionais e às forças políticas que dominam a Colômbia há décadas.

Sua campanha tem como pilares a segurança pública, o combate ao narcotráfico, a redução do tamanho do Estado e uma proposta de transformação profunda das instituições colombianas. O candidato afirma representar uma ruptura com o modelo político atual e se apresenta como líder de um projeto de renovação nacional, embora suas pautas econômicas sejam alinhadas ao já bem conhecido neoliberalismo e sua agenda política seja a da extrema direita, que de “outsider” não tem nada.

Discurso de ruptura e promessas radicais

Líder do movimento Defensores da Pátria, Abelardo de la Espriella aposta em uma narrativa centrada na ordem, no patriotismo e na eficiência administrativa — que não são nada inovadores, apesar do discurso de renovação.

Entre suas principais promessas está a construção de dez megaprisões de segurança máxima, inspiradas no modelo adotado pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele no combate às organizações criminosas.

O candidato também defende uma ofensiva contra o narcotráfico e promete erradicar plantações ilegais de coca por meio da pulverização de áreas cultivadas. Segundo suas propostas, cerca de 330 mil hectares de plantações ilícitas seriam eliminados.

Outra bandeira de campanha é a redução da estrutura estatal. De la Espriella afirma que pretende diminuir em 40% o tamanho do Estado colombiano e reduzir impostos cobrados das empresas, com o objetivo de estimular investimentos e crescimento econômico.

O programa de governo recebeu o nome de “País Milagroso” e prevê forte utilização dos poderes presidenciais. O candidato afirma que pretende assinar 90 decretos nos primeiros dias de governo para acelerar a implementação das mudanças prometidas durante a campanha.

Aleternativa a Petro

Analistas apontam que parte do eleitorado vê no candidato uma alternativa ao governo do presidente Gustavo Petro e também aos grupos políticos mais tradicionais do país. Embora a origem de Abelardo de la Espriella não seja a mesma dos grupos ditos tradicionais, o pensamento político conservador e o neoliberalismo econômico não trazem, na prática, elementos realmente diferentes do que traz a velha direita.

As pesquisas indicam que ele tem boas chances de avançar para o segundo turno, quando poderá enfrentar candidatos apoiados pelos principais grupos políticos nacionais.

Entre os adversários estão Iván Cepeda, identificado com o campo político do atual presidente Gustavo Petro, e Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

Simulações eleitorais divulgadas durante a campanha apontam que De la Espriella aparece em posição competitiva e, em alguns cenários, como favorito em eventuais disputas de segundo turno.

Carreira marcada pela atuação fora da política

A trajetória de Abelardo de la Espriella foi construída principalmente fora da atividade política.

Advogado criminalista e empresário, ele se tornou conhecido por atuar em casos de grande repercussão e por representar clientes envolvidos em controvérsias nacionais e internacionais.

Entre eles estão David Murcia, ligado a um esquema financeiro que provocou prejuízos a milhares de colombianos, e Alex Saab, empresário apontado por autoridades como aliado do governo venezuelano de Nicolás Maduro e atualmente preso nos Estados Unidos.

Além da advocacia, De la Espriella também desenvolveu atividades em outras áreas. Gravou dois álbuns musicais, publicou cinco livros e participou de produções para televisão.

Antes de ingressar na corrida presidencial, dividia seu tempo entre residências em Miami, nos Estados Unidos, e na região da Toscana, na Itália.

Sua imagem pública é marcada por um estilo sofisticado e por uma postura frequentemente associada à figura de um empresário de sucesso. Conhecido pelo apelido de “O Tigre”, costuma aparecer em eventos e entrevistas com roupas de grife e visual cuidadosamente elaborado.

Polêmica durante a campanha

Apesar do crescimento nas pesquisas, a campanha também foi marcada por episódios controversos.

Um dos casos de maior repercussão ocorreu durante a participação do candidato em um podcast. Na ocasião, De la Espriella protagonizou uma situação que gerou críticas e reações negativas de parte da opinião pública.

Durante a entrevista, ele exibiu uma imagem em seu telefone celular e insistiu para que uma jornalista observasse a fotografia.

“O que você vê aqui, querida? Dê um zoom e me diga o que você vê aí”, insistiu.

A atitude provocou forte repercussão e levou o candidato a se manifestar posteriormente nas redes sociais para pedir desculpas.

A jornalista Laura Rodríguez, do programa de rádio Piso 8, reagiu publicamente ao episódio.

“Foi uma falta de respeito total, me senti violada, assediada e furiosa”, afirmou.

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