Chile terá 2º turno entre ex-ministra comunista e ‘Bolsonaro chileno’

Jeannette Jara e José Antonio Kast vão ao 2º turno em eleição marcada por filas, polarização e retomada do voto obrigatório.

A disputa presidencial chilena de 2025 repetirá o cenário que as pesquisas já apontavam: a ex-ministra comunista Jeannette Jara e o ultradireitista José Antonio Kast avançam para o segundo turno, marcado para 14 de dezembro. Com a esquerda tentando superar a baixa popularidade do governo Gabriel Boric e a direita dividida entre diferentes correntes, o pleito abriu caminho para um dos embates mais polarizados desde o retorno à democracia.

Jara e Kast lideram com vantagem apertada

Com mais de 90% dos votos do primeiro turno apurados neste domingo (16), Jara tem 26% dos votos e Kast, 24%.

Nenhum dos oito candidatos superou os 50% necessários para vencer no primeiro turno.

A decisão obrigará o Chile a retornar às urnas em menos de um mês, agora com apenas dois nomes representando extremos do espectro político.

Jeannette Jara: comunista pragmática tenta levar continuidade a Boric

Ex-ministra do Trabalho e figura influente do Partido Comunista, Jara aposta em uma plataforma social focada em:

  • crescimento econômico com inclusão,
  • defesa do diálogo,
  • reformas trabalhistas e previdenciárias aprovadas durante sua gestão,
  • e medidas contra desigualdades históricas.

Apesar disso, carrega o desafio de superar o desgaste do governo Boric, cuja administração enfrenta rejeição crescente por causa da economia e da insegurança.

O ódio e o medo não governam um país; é preciso empatia e diálogo”, afirmou Jara após votar.

Kast: agenda de segurança, anti-imigração e alinhamento internacional à direita

Kast, que já perdeu para Boric em 2021, voltou mais forte com uma campanha centrada em:

  • combate ao crime organizado,
  • repressão à imigração ilegal,
  • políticas de fronteira inspiradas em Trump e Bukele,
  • forte redução de gastos públicos.

O candidato é conhecido por defender o legado de Pinochet, rejeitar o rótulo de extrema direita e se alinhar a figuras como Trump, Milei, Bukele e Jair Bolsonaro.

O governo atual é o pior da história democrática do Chile”, disse Kast.

Voto obrigatório provoca filas e amplia participação

Pela primeira vez desde 1990, a eleição presidencial ocorreu com voto obrigatório, o que levou a longas filas e atrasos no encerramento da votação.

Mais de 15 milhões de chilenos estavam aptos a votar. Grandes cidades registraram congestionamentos e centros eleitorais permaneceram abertos além do horário previsto.

Cenário legislativo tende ao avanço da direita

Além da presidência, o Chile renovou toda a Câmara e metade do Senado. Projeções indicam que a direita deverá ampliar sua força parlamentar, criando um Congresso mais favorável a Kast caso ele vença o segundo turno.

Boric: neutralidade institucional e recado pela democracia

Ao votar, o presidente Gabriel Boric afirmou que não poderia favorecer nenhum candidato, mas destacou: “O Chile tem um futuro promissor que depende de nós.”

Após os resultados preliminares, parabenizou Jara e Kast e pediu que o debate eleitoral seja conduzido “com respeito e carinho pelo país”.

Disputa final promete ser acirrada

Pesquisas indicam que, somadas, as correntes de direita ultrapassam 50% das intenções de voto — o que coloca Kast em vantagem inicial. Já Jara aposta no pragmatismo e no discurso da defesa democrática para conquistar eleitores do centro.

O Chile retorna às urnas em 14 de dezembro, num segundo turno que deve definir não apenas o próximo presidente, mas o rumo político de uma nação ainda marcada pelos protestos de 2019, a crise de representatividade e o debate sobre segurança pública.

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