Governo prorroga isenção de impostos sobre querosene de aviação e biodiesel até 31 de julho

Medida amplia benefícios até o fim de julho e integra pacote federal criado para reduzir os impactos da disparada do petróleo sobre preços e custos da economia

O governo federal decidiu estender por mais dois meses a isenção de impostos incidente sobre a venda e a importação de querosene de aviação (QAV) e biodiesel. A prorrogação foi oficializada por meio de decreto publicado na sexta-feira (29) e mantém o benefício em vigor até 31 de julho.

A medida integra o conjunto de ações anunciado pelo governo para enfrentar os efeitos da alta internacional do petróleo, intensificada pelas tensões geopolíticas e pelos conflitos no Oriente Médio. O objetivo é reduzir a pressão sobre os custos dos combustíveis e evitar repasses mais expressivos para consumidores e setores produtivos.

Sem a renovação do benefício, a isenção perderia validade já neste domingo (31), o que poderia elevar os custos de segmentos diretamente dependentes desses insumos.

Impacto direto sobre a aviação

A decisão tem especial relevância para o setor aéreo, que vem enfrentando sucessivos aumentos nos custos operacionais em razão da valorização do petróleo no mercado internacional.

O querosene de aviação é um dos principais componentes das despesas das companhias aéreas e representa atualmente uma parcela significativa dos custos do setor.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a responder por aproximadamente 45% dos custos operacionais das empresas após reajustes promovidos recentemente pela Petrobras.

Diante desse cenário, a manutenção da isenção tributária é vista como uma forma de aliviar parte da pressão financeira sobre as companhias e contribuir para evitar aumentos ainda maiores nas tarifas aéreas.

Além da aviação comercial, o benefício também pode gerar reflexos positivos em atividades que dependem diretamente do transporte aéreo, como turismo, logística e transporte de cargas.

Biodiesel também permanece beneficiado

A prorrogação alcança ainda o biodiesel, combustível amplamente utilizado na composição do diesel comercializado no país.

A manutenção da isenção busca reduzir custos na cadeia de produção e distribuição de combustíveis, setor que também vem sofrendo impactos da instabilidade internacional nos preços da energia.

A expectativa do governo é que a medida contribua para suavizar pressões inflacionárias relacionadas ao transporte de mercadorias e ao abastecimento de diferentes segmentos econômicos.

Pacote foi lançado para enfrentar alta do petróleo

A renovação da isenção integra um pacote mais amplo de medidas anunciado pelo governo federal em abril, quando o avanço das cotações internacionais do petróleo levou a equipe econômica a buscar mecanismos para conter os efeitos sobre os combustíveis consumidos no Brasil.

Na ocasião, o governo apresentou uma série de ações voltadas a reduzir o impacto dos reajustes internacionais sobre consumidores e empresas.

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total estimado das medidas alcança R$ 30,5 bilhões.

Apesar do valor expressivo, o governo sustenta que o pacote não deverá gerar impacto adicional sobre as contas públicas.

A justificativa apresentada pela equipe econômica é que os recursos utilizados serão compensados por receitas extras obtidas com a própria cadeia petrolífera, incluindo arrecadação relacionada ao óleo diesel e receitas provenientes dos royalties do petróleo pagos pelas empresas que exploram o recurso no país.

Quais medidas fazem parte do pacote

O programa anunciado pelo governo contempla uma combinação de isenções tributárias, subsídios e mecanismos de apoio financeiro para setores afetados pela alta dos combustíveis.

Entre as iniciativas estão:

• subvenção ao diesel produzido no Brasil e ao diesel importado;

• isenção de impostos federais sobre o biodiesel;

• subvenção ao gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha;

• subvenção ao querosene de aviação;

• criação de linhas de crédito voltadas ao setor aéreo.

As subvenções funcionam como mecanismos de apoio financeiro concedidos pelo governo para reduzir parte dos custos dos combustíveis e evitar que toda a elevação dos preços internacionais seja repassada ao consumidor final.

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