Executivo do Banco Genial e delator do Master são alvos da Carbono Oculto

Ação conjunta do MPSP e da Receita Federal cumpre 27 mandados de busca e apreensão em sete estados para estancar lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), a terceira fase da Operação Carbono Oculto, em força-tarefa realizada conjuntamente com a Receita Federal. Os principais alvos de busca e apreensão autorizados pelo Poder Judiciário o executivo do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto, e seus irmãos André Tupinambá e Bruno Tupinambá.

O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos, também foi alvo das diligências. Freixo Junior celebrou recentemente acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do escândalo envolvendo o Banco Master.

As equipes de fiscalização e os agentes foram às ruas para o cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Catanduva, com o objetivo de aprofundar as apurações sobre os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro no segmento de combustíveis.

As diligências estão sendo executadas simultaneamente em sete unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A ofensiva conta ainda com a cooperação institucional da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e das polícias Civil e Militar dos estados envolvidos.

Como o esquema funcionava

O foco central das apurações recai sobre a montagem de uma sofisticada arquitetura financeira e societária para arrematar e assumir o controle operacional da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., marca conhecida no mercado pelo nome fantasia Terrana. De acordo com os promotores do Gaeco, executivos de destaque no mercado de capitais e no sistema bancário desempenharam papéis estratégicos no desenho e na operacionalização das fraudes.

A tese acusatória sustenta que a compra da distribuidora foi dissimulada pela criação recente de veículos de investimento e empresas de fachada constituídas poucos meses antes do fechamento do negócio. Entre as estruturas identificadas pelo Ministério Público constam os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das companhias Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.

Análises de inteligência financeira respaldadas por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), quebras de sigilo bancário e mensagens extraídas de telefones apreendidos em etapas anteriores indicam a circulação de mais de R$ 120 milhões por contas de passagem.

Fluxo de empresas

O fluxo financeiro transitou por empresas como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi antes de irrigar a estrutura compradora da Terrana, valendo-se do uso sistemático de “laranjas” para ocultar os reais beneficiários dos ativos.

Apesar de não constarem no rol de alvos das buscas deflagradas nesta quinta-feira, os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido pelo apelido Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, são qualificados pelos investigadores como os chefes e líderes da organização criminosa sob investigação

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