O prédio comercial que desabou na noite de sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo, havia recebido dois contêineres de mercadorias poucas horas antes do acidente. A informação foi revelada neste sábado (7) pelo secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, que apontou o excesso de peso nos pavimentos superiores como uma das principais hipóteses investigadas para explicar o colapso da estrutura.
Segundo o secretário, parte dos produtos foi transportada para os andares superiores do imóvel ao longo do dia. No momento do desabamento, 35 trabalhadores estavam no estabelecimento, envolvidos na movimentação e descarga de mercadorias. Todos conseguiram sair do prédio, mas 27 precisaram ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros.
A possibilidade de sobrecarga ganhou força após o relato da proprietária da loja, que detalhou às autoridades como os produtos haviam sido distribuídos no edifício. Apesar dos indícios, a causa do desabamento ainda não foi determinada oficialmente e dependerá da conclusão dos trabalhos periciais.
O imóvel, localizado na Rua Maria Joaquina, número 192, também apresentava irregularidades documentais. Segundo as autoridades, o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento vigente nem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular.
Mercadorias foram levadas para os pavimentos superiores
Durante entrevista coletiva, o secretário explicou que a loja recebeu duas cargas de mercadorias na sexta-feira. A primeira foi descarregada pela manhã e transportada para a parte superior da construção. A segunda começou a ser retirada de um contêiner depois das 18h, pouco antes do acidente.
“Ela recebeu dois contêineres. Um foi descarregado de manhã e ela levou para cima do imóvel. Depois das 18 horas, começaram a descarregar o outro, por isso tinham 35 pessoas no local. A perícia ainda vai apontar, mas a queda começou no mezanino, em cima, onde ela colocou muito peso”, afirmou o secretário.
As informações foram obtidas durante uma conversa com a proprietária do estabelecimento, uma mulher chinesa, com auxílio de um intérprete. Segundo o relato apresentado às autoridades, o edifício possuía duas lajes e um mezanino instalado sobre o escritório da loja. Nesse espaço, havia uma grande concentração de mercadorias.
A suspeita é que o acúmulo de produtos tenha provocado uma sobrecarga na estrutura, especialmente na região do mezanino, apontada pelo secretário como o local onde o desabamento teria começado.
Entretanto, a hipótese ainda precisa ser confirmada pelos peritos. A investigação deverá avaliar as condições estruturais do imóvel, a distribuição das cargas e outros fatores que possam ter contribuído para a queda.
Loja funcionava sem alvará e documento dos bombeiros
Além das suspeitas sobre o peso das mercadorias, o acidente revelou problemas relacionados à regularização do estabelecimento comercial. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o prédio não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular. O certificado comprova que a edificação atende às exigências legais de segurança contra incêndio e pânico.
A Prefeitura de São Paulo também informou que a loja não tinha alvará de funcionamento vigente, documento necessário para o exercício regular das atividades comerciais. A administração municipal acrescentou que não encontrou registros de denúncias anteriores sobre as condições de segurança do imóvel nos canais oficiais de atendimento.
Trinta e cinco pessoas escaparam
O desabamento ocorreu por volta das 18h30 de sexta-feira, quando dezenas de trabalhadores estavam no interior do imóvel. Segundo o Corpo de Bombeiros, oito pessoas conseguiram escapar por conta própria, enquanto outras 27 precisaram de auxílio das equipes de resgate para deixar a área atingida.
Apesar da gravidade do acidente, não houve registro de feridos graves. Quatro trabalhadores foram encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, onde receberam assistência médica por lesões leves. Nenhum apresentava risco de morte.
As equipes permaneceram no local durante a noite, mas precisaram interromper a retirada manual dos destroços na madrugada de sábado devido à instabilidade da estrutura remanescente.
O risco de novos desabamentos levou os bombeiros a reorganizar a operação para garantir a segurança dos profissionais envolvidos. Na manhã deste sábado, os trabalhos foram retomados com o auxílio de maquinário, permitindo a remoção gradual dos escombros e a continuidade das buscas por possíveis vítimas.







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