EUA e Irã confirmam acordo histórico para encerrar conflito e reabrir Hormuz

Entendimento prevê fim imediato das hostilidades, reabertura do Estreito de Hormuz e assinatura oficial na Suíça na próxima sexta-feira

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e autoridades do Irã anunciaram neste domingo (14) a conclusão de um acordo para encerrar o conflito entre os dois países. O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.

O anúncio foi feito inicialmente por Trump em uma publicação na rede Truth Social. Segundo o líder norte-americano, o acordo permitirá a retomada integral da navegação na região sem cobrança de pedágios e determinará o fim imediato do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, declarou Trump, acrescentando que a medida permitirá a normalização do fluxo de petróleo para os mercados internacionais.

Acordo prevê retomada da navegação em Hormuz

Cerca de uma hora após o primeiro anúncio, Trump voltou a se manifestar, classificando a negociação como um “grande acordo” capaz de promover estabilidade e segurança em todo o Oriente Médio.

O presidente norte-americano afirmou que a reabertura do Estreito de Hormuz ocorrerá após a assinatura oficial do acordo, marcada para a próxima sexta-feira (19), na Suíça. Antes disso, será realizada uma operação para retirada de minas e garantir a segurança da navegação.

A retomada do tráfego marítimo é considerada estratégica para a economia global, uma vez que o estreito concentra uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo, gás natural e derivados.

Irã confirma fim das hostilidades e do bloqueio naval

Autoridades iranianas também confirmaram a conclusão do texto do acordo. O vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, informou que o documento foi finalizado após negociações realizadas em Teerã com representantes do Catar.

Segundo o governo iraniano, duas medidas passarão a vigorar já nesta segunda-feira (15): o encerramento permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o fim do bloqueio naval norte-americano contra a República Islâmica.

Apesar do avanço diplomático, Gharibabadi ressaltou que Teerã continuará monitorando rigorosamente o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos.

Paquistão e mediadores celebram entendimento

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou o acordo e destacou o papel desempenhado pelos mediadores internacionais ao longo das negociações.

Segundo ele, a cerimônia oficial ocorrerá na Suíça e contará com o apoio diplomático de países como Catar, Arábia Saudita e Turquia, que participaram dos esforços para aproximar as partes.

Sharif afirmou ainda que novas reuniões técnicas serão realizadas ao longo da semana para preparar a implementação prática das medidas previstas no acordo.

Israel ainda não comenta anúncio

Até o momento, o governo de Israel não se pronunciou oficialmente sobre o entendimento entre Washington e Teerã. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também não comentou publicamente o anúncio.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump criticou a postura do líder israelense e afirmou que ataques recentes realizados por Israel quase comprometeram as negociações de paz.

O presidente norte-americano declarou ainda que o acordo foi concluído mesmo diante das objeções de Netanyahu e defendeu que a iniciativa reduz riscos relacionados ao programa nuclear iraniano e à segurança regional.

Programa nuclear será discutido em nova rodada

Embora o acordo tenha sido anunciado como concluído, os detalhes completos ainda não foram divulgados oficialmente.

Informações obtidas pela agência Reuters indicam que o texto estabelece a reabertura de Hormuz, o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos e a manutenção de um cessar-fogo abrangente. No entanto, a questão envolvendo o programa nuclear iraniano permanecerá em negociação durante um período adicional de 60 dias.

Especialistas avaliam que o entendimento restabelece parte da situação anterior ao conflito, que deixou milhares de mortos ao longo dos últimos três meses e provocou forte impacto nos mercados globais.

Ataque no Líbano quase inviabilizou negociações

As negociações enfrentaram momentos de forte tensão durante o fim de semana. Um ataque israelense contra posições do Hezbollah em Beirute, no Líbano, colocou em risco o avanço do acordo.

O negociador-chefe iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, chegou a afirmar que a ação levantava dúvidas sobre a capacidade dos Estados Unidos de garantir o cumprimento de seus compromissos diplomáticos.

O governo iraniano responsabilizou Washington pelo episódio e advertiu sobre a possibilidade de uma resposta militar caso os ataques continuassem.

Posteriormente, Trump também criticou a ofensiva e declarou que a ação ocorreu justamente quando as negociações estavam próximas de uma conclusão definitiva.

Líderes internacionais apoiam acordo

O anúncio foi recebido positivamente por diversas lideranças internacionais. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o entendimento pode abrir caminho para uma recuperação econômica global e para maior estabilidade no Oriente Médio.

O presidente da França, Emmanuel Macron, destacou que a retomada da navegação sem restrições em Hormuz é fundamental para a economia mundial e para a segurança regional.

Já o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, classificou o acordo como um passo importante para a paz na região. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, também manifestaram apoio à implementação do entendimento e defenderam a manutenção do diálogo diplomático entre as partes.

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