Empresas sob ataque: crimes contra operadoras, transportes e concessionárias se tornam rotina e afetam serviços essenciais no Rio

Casos recentes de violência escancaram riscos enfrentados por companhias que operam no estado

A insegurança pública no Rio de Janeiro tem se consolidado como um obstáculo direto ao ambiente de negócios. Uma pesquisa da Firjan, reportada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O GLOBO, revelou que dois em cada três empresários consideram a segurança um fator decisivo na hora de investir. E os exemplos recentes mostram que a preocupação é justificada: empresas de diversos setores estão sendo alvo de ações criminosas, em um cenário que ameaça não apenas os lucros, mas também a continuidade dos serviços.

A reportagem reuniu casos recentes que ilustram como concessionárias, operadoras de telecomunicações, companhias de energia e empresas de transporte enfrentam ataques constantes. A lista não inclui a SuperVia, que é considerada hors-concours nesse tipo de ocorrência — fator que levou a gigante japonesa Mitsui, controladora da concessionária até 2023, a abandonar o investimento no sistema de trens urbanos do Rio.

Petrobras

Na última terça-feira, a Polícia prendeu uma quadrilha especializada no furto de combustíveis diretamente dos oleodutos da estatal. A organização criminosa já havia protagonizado, em agosto, uma tentativa ousada: cavou um túnel de sete metros em Rio das Flores, no interior do estado, para acessar um duto que abastece os mercados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Light

A concessionária de energia elétrica também tem enfrentado danos sistemáticos. De janeiro a junho deste ano, 68 equipamentos da empresa foram atingidos por disparos de arma de fogo. No mesmo período, foram registradas 115 ocorrências de furto de cabos de energia, crime que, além de prejuízos financeiros, causa interrupções no fornecimento.

Rio Ônibus

No dia 25 de junho, uma garagem de ônibus localizada em Vigário Geral, no Complexo de Israel, foi desalojada pelo tráfico de drogas. O episódio é apenas mais um entre vários que têm afetado diretamente o funcionamento do sistema de transporte coletivo da cidade, com coletivos incendiados e linhas suspensas em áreas conflagradas.

Águas do Rio

Funcionários da empresa de saneamento foram alvos diretos da violência. No dia 24 de junho, dois empregados foram baleados enquanto tentavam cobrar uma dívida de um cliente na Cacuia, na Ilha do Governador. A empresa, que opera serviços essenciais de abastecimento de água e esgoto, já relatou dificuldades de acesso a determinadas regiões dominadas por milícias e tráfico.

Nio (ex-Oi)

A operadora de telecomunicações também não escapou. Em 20 de junho, uma central de fibra óptica foi completamente destruída por criminosos armados. A unidade atendia sete bairros da Zona Oeste do Rio, deixando milhares de pessoas sem acesso à internet e serviços digitais.

MetrôRio

Em 14 de maio de 2024, o jornal O GLOBO revelou que cerca de 12 criminosos invadiram a subestação de energia do metrô, no bairro Colégio, Zona Norte. De acordo com a Polícia Civil, quatro funcionários foram feitos reféns durante a ação, que comprometeu temporariamente a operação do sistema metroviário.

Claro

A empresa de telefonia e internet também relatou problemas para operar em áreas sob controle do crime. Em 10 de janeiro, a coluna publicou uma mensagem enviada pela operadora a uma moradora da Praça Seca, informando que não havia previsão para o restabelecimento dos serviços na região devido a “problemas de segurança pública”.

Além dos danos materiais e prejuízos operacionais, os ataques representam um custo adicional à atividade econômica — tanto em seguros mais caros quanto em medidas de proteção privada, interrupções contratuais e, em casos mais graves, na fuga de investidores. O resultado é um ambiente de negócios fragilizado, que exige resposta urgente do poder público para garantir a permanência de empresas estratégicas no estado.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading