Empresários pressionam Alcolumbre para barrar avanço da PEC que prevê fim da escala 6×1

Setor produtivo intensifica articulação política para tentar frear projeto que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e prevê mudanças graduais nas regras trabalhistas

O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas provocou uma reação imediata de empresários de diferentes setores da economia. Após o acordo político firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), empresários representantes do setor produtivo intensificaram a pressão sobre o Congresso Nacional.

Segundo informações divulgadas pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, o foco da articulação empresarial passou a ser o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado peça-chave na condução das negociações políticas em torno da proposta.

Nesta terça-feira (26), empresários liderados pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, devem se reunir com Alcolumbre para discutir os impactos econômicos e operacionais da mudança nas regras trabalhistas que está em análise na Câmara dos Deputados.

Setor produtivo quer mais tempo para adaptação

Nos bastidores, representantes empresariais afirmam que foram surpreendidos pela velocidade da articulação política construída entre o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara. A principal preocupação do setor é o prazo considerado curto para adaptação das empresas às novas exigências trabalhistas.

O relatório apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) estabelece um período de transição de 14 meses para a implementação completa da nova jornada semanal de 40 horas.

Pelo texto, a redução da carga horária será feita em duas etapas. Em cada fase haverá corte de duas horas na jornada semanal.

A primeira redução passará a valer 60 dias após a promulgação da PEC. Já a segunda etapa ocorrerá 12 meses depois, concluindo o cronograma previsto pelo relator.

Empresários defendem que a mudança ocorra de forma mais lenta, alegando impactos diretos sobre custos operacionais, produtividade e reorganização das escalas de trabalho em diversos segmentos da economia.

Câmara acelera tramitação da proposta

A expectativa no Congresso é de que a PEC seja votada ainda nesta semana tanto na comissão especial quanto no plenário da Câmara dos Deputados.

O modelo de transição foi definido após reunião entre Lula e Hugo Motta realizada na segunda-feira (25), consolidando um acordo político para acelerar o andamento da proposta.

O relatório também prevê a possibilidade de convenções coletivas autorizarem jornadas superiores a oito horas diárias durante o período transitório de 12 meses. A medida busca manter, nesse intervalo, o teto máximo de 42 horas semanais.

A proposta é vista por integrantes do governo como uma tentativa de modernizar as relações de trabalho e responder a demandas históricas de trabalhadores por redução da carga horária sem diminuição salarial.

Movimentação política amplia disputa nos bastidores

Além da discussão econômica e trabalhista, a tramitação da PEC também intensificou articulações políticas em Brasília.

Nos bastidores da Câmara, a aproximação entre Hugo Motta e o Palácio do Planalto é interpretada como estratégica. O presidente da Câmara pretende disputar a reeleição na Paraíba, estado onde Lula mantém forte influência política.

Aliados avaliam que o avanço da pauta trabalhista pode fortalecer o diálogo de Motta com a base governista e ampliar seu espaço político para uma futura recondução ao comando da Câmara dos Deputados.

Enquanto isso, empresários seguem tentando construir apoio no Senado para modificar pontos do texto ou ampliar o período de transição antes que a proposta avance definitivamente no Congresso Nacional.

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