A PEC que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas deve avançar no Senado sem resistência direta do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, segundo relatos de fontes ligadas às negociações em Brasília.
Após a aprovação na Câmara dos Deputados, a proposta passou a mobilizar articulações intensas no Senado em meio ao clima político delicado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre.
Apesar do distanciamento entre os dois líderes políticos, interlocutores afirmam que o presidente do Senado não pretende atuar para barrar a tramitação da PEC. A tendência, segundo aliados, é que a proposta siga o rito normal dentro da Casa, passando pelas comissões antes de chegar ao plenário, revela o jornal Valor Econômico.
Vitória na Câmara
A PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada pela Câmara nesta quarta-feira (27), após forte articulação conduzida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e por aliados do governo federal.
O texto reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de folga remunerada por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
A proposta também prevê um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas às novas regras.
Nos bastidores, Hugo Motta teria conversado diretamente com Alcolumbre nos últimos dias para discutir o andamento da PEC no Senado e evitar ruídos políticos durante a tramitação.
Pressão de empresários
O avanço da proposta provocou reação de representantes do setor produtivo, que demonstram preocupação principalmente com o prazo curto de transição previsto no texto.
Empresários têm pressionado lideranças do Senado para ampliar o debate e evitar uma votação acelerada antes do recesso parlamentar de julho.
Mesmo assim, segundo fontes próximas ao comando da Casa, Alcolumbre não teria assumido compromisso para segurar a proposta até depois das eleições.
A avaliação entre senadores é que o tema possui forte apelo popular e dificilmente será ignorado politicamente nos próximos meses.
Clima político em Brasília
O ambiente político no Senado, porém, segue cercado de tensão após o desgaste recente entre Lula e Alcolumbre.
Nos bastidores do Congresso, aliados do governo admitem que a relação esfriou depois da derrota imposta ao Palácio do Planalto com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde então, ministros e líderes governistas tentam reconstruir pontes entre o Executivo e o comando do Senado para evitar dificuldades em pautas prioritárias.
Mesmo sem um alinhamento político total, integrantes do governo acreditam que a pressão popular em torno do fim da escala 6×1 pode acelerar a tramitação da PEC ainda neste semestre.
Próximos passo, Senado
Após concluir a votação em segundo turno na Câmara, a proposta seguirá oficialmente para o Senado, onde precisará do apoio mínimo de 49 senadores para ser aprovada.
A expectativa de aliados do governo é que o texto seja discutido inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), embora ainda exista debate sobre eventual análise também pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Enquanto isso, sindicatos, movimentos trabalhistas e representantes empresariais intensificam a disputa política em torno de uma das propostas mais debatidas do Congresso em 2026.





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