Em entrevista do Jogo do Poder, Carlos Sávio diz que vê fim de ciclo de Lula e que a crise no STF favorece oposição

Cientista político avalia que desgaste do governo mudou a dinâmica da disputa presidencial, analisa impactos da crise no Supremo e aponta cenários para a eleição no Rio

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O cientista político Carlos Sávio, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que a eleição presidencial entrou em uma nova fase, marcada pelo desgaste do governo Lula e pelos efeitos políticos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao programa Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno e que vai ao ar neste domingo (13), às 23h20 pela Rede CNT, ele afirmou que o cenário recente favorece a oposição e considerou que, mantidas as atuais condições, Flávio Bolsonaro pode chegar fortalecido à reta final da disputa.

Sávio também analisou a eleição para o Governo do Rio. Para ele, Eduardo Paes continua favorito, mas o crescimento de Douglas Ruas e a permanência de Anthony Garotinho na disputa podem levar a eleição estadual ao segundo turno.

Desgaste de Lula e disputa por rejeição

Na avaliação do cientista político, o país vive o encerramento de um ciclo que teve Lula como principal personagem da Nova República. Sávio lembrou que o petista participou diretamente das disputas presidenciais desde 1989 e exerceu forte influência sobre o sistema político nas últimas décadas.

“Eu acho que nós temos dois marcadores de fundo do processo eleitoral. O primeiro deles me parece, com muita clareza, que nós estamos vivendo o fim de um ciclo político”, afirmou.

Segundo ele, a eleição tende novamente a ser determinada pelos índices de rejeição. Sávio comparou o atual cenário aos pleitos de 2014, 2018 e 2022 e avaliou que o peso de estar no governo agora recai sobre Lula.

“Se não ocorrer um fato novo, fato bombástico, que seja capaz de atingir a candidatura de Flávio Bolsonaro, o desiderato será muito provavelmente a vitória dele por margem estreita também”, afirmou, ressaltando tratar-se de uma projeção eleitoral.

Crise no STF entra no cálculo eleitoral

Outra variável apontada por Sávio é a crise institucional envolvendo o Supremo. Para ele, o protagonismo adquirido pelo STF ao longo das últimas décadas contribuiu para transformar ministros em atores centrais da política nacional.

O professor criticou o que considera uma judicialização excessiva das disputas políticas e afirmou que a crise atual pode produzir consequências eleitorais. Na interpretação dele, a associação construída ao longo dos anos entre setores do Supremo e adversários do bolsonarismo tende a permitir que os episódios recentes sejam explorados pela oposição.

“Do ponto de vista do processo eleitoral é muito difícil fazer isso”, disse Sávio ao comentar as tentativas de Lula de se distanciar da crise. “Eu não tenho dúvida de que isso beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro.”

O STF passa por uma fase de mudanças internas. Nesta semana, o presidente da Corte, Edson Fachin, assumiu a condução do inquérito das Fake News, até então relatado por Alexandre de Moraes. Leia mais sobre a decisão na Agenda do Poder.

Garotinho pode ser decisivo no Rio

Na disputa fluminense, Sávio considera Eduardo Paes favorito, mas vê a candidatura de Anthony Garotinho como peça importante para definir se haverá segundo turno.

“A candidatura de Garotinho, a manutenção da candidatura de Garotinho, ela me parece crucial para as pretensões de Douglas Ruas, porque a candidatura de Garotinho levará a eleição para o segundo turno”, avaliou.

Para o cientista político, caso Garotinho deixe a disputa por decisão da Justiça Eleitoral, aumentam as possibilidades de Paes vencer ainda na primeira etapa. Se houver segundo turno, porém, Sávio acredita que a disputa ficaria mais aberta para Douglas Ruas.

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