A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) foi alvo de uma representação ao Ministério Público de São Paulo acusada de transfobia e violência política de gênero contra a deputada federal Erika Hilton (PSOL). O documento foi apresentado nesta segunda-feira (5) pela também deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL), após uma publicação de Campopiano nas redes sociais.
A representação foi encaminhada ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP. Favero pede a instauração de inquérito policial e a responsabilização da parlamentar do PL.
Na publicação que motivou a denúncia, Campopiano ataca Erika, a chama de “homem biológico” e compara as votações recebidas pelas duas nas eleições de domingo (4). “Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo?”, escreveu a deputada eleita, dirigindo-se a Erika Hilton.
Segundo a representação, a publicação constitui um ataque à identidade de gênero de uma mulher que exerce mandato eletivo. O documento sustenta que o episódio se enquadra em transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Esses enquadramentos são apontados pela autora da representação e dependem de análise pelas autoridades.
A candidata do PL recebeu 1.956.238 votos e foi a mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Erika foi reeleita à Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos, ficando em segundo lugar na disputa federal no estado, atrás de Lucas Pavanato (PL), padrinho político de Campopiano, que recebeu 3.038.438.
Campopiano foi eleita para a Câmara Municipal de Praia Grande em 2024
Natural de Campinas, Maria Eduarda Campopiano Monteiro tem 23 anos e ganhou projeção com a produção de conteúdo político nas redes sociais, que começou a postar aos 18 anos.
Antes de disputar as eleições, em 2023 atuou como comentarista do programa Linha de Frente, da Jovem Pan, construindo audiência em torno de temas políticos e defesa de pautas da direita. Atualmente, reúne mais de 2 milhões de seguidores nas redes.
Sua primeira eleição ocorreu em 2024, quando conquistou uma cadeira na Câmara de Praia Grande, no litoral paulista, com 3.589 votos. Agora, deverá deixar o mandato municipal para assumir uma vaga na Alesp em 2027.
Deputada eleita acumula polêmicas
Campopiano se apresenta publicamente como conservadora e antifeminista e já se autointitulou “inimiga número um das feministas”. Entre suas posições estão a defesa da criminalização do aborto e a oposição a pautas e candidatos de esquerda.
Ao longo da ainda curta trajetória política, a parlamentar já acumula histórico de polêmicas. Algumas de suas declarações provocaram reações de adversários políticos, movimentos sociais e até artistas. Falas sobre povos indígenas e manifestações envolvendo pessoas trans resultaram em representações apresentadas ao Ministério Público.
Meses antes da eleição, por exemplo, uma polêmica envolvendo declarações sobre a colonização do Brasil ganhou projeção nacional. Durante participação em um podcast, Campopiano, então vereadora, associou os povos indígenas a práticas como canibalismo e sacrifícios e disse que agradecia ao divino pela chegada dos colonizadores ao país.
“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias”, afirmou num debate promovido pelo RedCast. “Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘Galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…”, continuou. A controvérsia gerou reação e chegou a render boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor registrado pela artista e liderança indígena Katú Mirim.
Após os resultados das eleições, internautas começaram a resgatar falas polêmicas da parlamentar. Em um dos episódios, Campopiano foi criticada pelo ex-baterista do Angra Marco Antunes, um dos primeiros integrantes da banda, após aparecer usando uma camiseta do grupo numa publicação em abril. Em uma postagem posteriormente apagada do Instagram, o músico, que usa nome artístico Marco Leão Sol, pediu que ela retirasse a camiseta, chamou-a de “demônio precoce” e “fascistinha” e declarou que estava “excomungada”. Na madrugada desta terça-feira (6), voltou a atacar a deputada eleita em outra publicação.
Nas urnas, Campopiano conquistou a maior votação para deputada estadual em São Paulo, com quase dois milhões de votos — quase três vezes os 653.753 recebidos por Eduardo Suplicy (PT), segundo colocado. Foi também a segunda maior votação da história para uma cadeira na Alesp, atrás apenas de Janaína Paschoal, que ultrapassou 2 milhões de votos em 2018.







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