Economista de Flávio Bolsonaro cita Milei e defende ‘choque’ no Brasil

Daniella Marques usa Argentina como referência para defender cortes de gastos, privatizações e desregulamentação

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A economista Daniella Marques, coordenadora econômica do plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), citou o presidente argentino Javier Milei como referência para uma mudança na política econômica brasileira. Durante entrevista coletiva no seminário Brasil Hoje, em São Paulo, nesta segunda-feira (14), ela defendeu um forte ajuste nas contas públicas, privatizações e redução de regras e benefícios tributários.

Ligada ao ex-ministro Paulo Guedes e ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, Daniella afirmou que o governo brasileiro “precisa rever de forma ampla os gastos públicos”. Na avaliação dela, o controle das despesas poderia abrir espaço para investimentos e ajudar a reduzir a taxa básica de juros, a Selic.

A economista também defendeu a redução da estrutura estatal e a revisão de benefícios fiscais. O argumento é semelhante ao adotado por Milei desde que assumiu a Presidência da Argentina, no fim de 2023.

O que aconteceu na Argentina

Milei iniciou o governo com um programa de choque que combinou cortes de gastos, redução de subsídios, diminuição do número de órgãos públicos, desregulamentação da economia e mudanças nas relações trabalhistas. A estratégia ficou conhecida pela imagem da “motosserra”, usada pelo próprio presidente para simbolizar o corte de despesas.

O governo também conseguiu transformar o déficit fiscal em superávit, interrompendo uma trajetória de sucessivos resultados negativos nas contas públicas.

A melhora dos indicadores fiscais, porém, teve um custo elevado no início do processo. O corte de subsídios fez subir preços de energia, transporte e outros serviços, enquanto a redução dos gastos públicos atingiu a renda e o consumo das famílias.

A atividade econômica também encolheu. Indústria, construção e comércio foram afetados pela queda do consumo, e o mercado de trabalho sofreu com a redução de empregos formais e o aumento da informalidade. O funcionalismo público também passou por cortes. O programa de Milei avançou ainda sobre a legislação trabalhista. As mudanças flexibilizaram algumas regras de contratação e demissão.

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