Douglas Ruas será o segundo gonçalense a governar o Rio, estado que já teve até irmãos no cargo

Eleição recoloca São Gonçalo no comando do estado após 55 anos; Niterói, Campos e Bom Jesus do Itabapoana também deram governadores ao Rio, incluindo os irmãos Roberto e Badger da Silveira

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A eleição de Douglas Ruas (PL) para o governo do Rio de Janeiro recoloca São Gonçalo na história política fluminense. Nascido no município da Região Metropolitana, o governador eleito será o segundo gonçalense a ocupar o cargo, mas o primeiro desde a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em 1975.

Antes dele, Geremias de Mattos Fontes, também natural de São Gonçalo, governou o antigo Estado do Rio de Janeiro entre 1967 e 1971. A diferença está na forma de escolha: Geremias chegou ao poder por eleição indireta, durante a ditadura militar, enquanto Ruas conquistou o cargo pelo voto popular.

A vitória de Douglas Ruas foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no sábado (10), após a retotalização dos votos do primeiro turno. O candidato do PL alcançou 50,88% dos votos válidos, garantindo a eleição sem necessidade de segundo turno.

O resultado também chama a atenção para a origem dos políticos que governaram o território fluminense. Ao longo da história, a capital, Niterói e cidades do interior, como Campos dos Goytacazes e Bom Jesus do Itabapoana, forneceram nomes que chegaram ao comando do Executivo estadual.

São Gonçalo volta ao governo depois de 55 anos

O primeiro governador nascido em São Gonçalo foi Geremias de Mattos Fontes, que assumiu o governo em 1967, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do regime militar.

Advogado e pastor presbiteriano, Geremias iniciou sua trajetória política na cidade natal, onde exerceu o cargo de prefeito. Posteriormente, foi deputado federal e chegou ao governo do antigo Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói.

Seu mandato terminou em março de 1971, quatro anos antes da fusão com a Guanabara. Geremias morreu em 2010.

Geremias de Mattos Fontes assumiu o governo em 1967, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) / Reprodução

Agora, Douglas Ruas, nascido em 17 de janeiro de 1989, recupera essa ligação histórica. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), foi eleito deputado estadual em 2022, ocupou a Secretaria estadual das Cidades e chegou à presidência da Assembleia Legislativa em 2026.

A eleição faz de Ruas o primeiro político nascido em São Gonçalo a governar o estado com a configuração territorial atual.

Roberto Silveira e o caso dos dois irmãos que governaram o Rio

Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense, também ocupa um lugar particular na história política do estado. O município foi o berço de dois irmãos que chegaram ao governo: Roberto Teixeira da Silveira e Badger da Silveira.

Roberto Silveira nasceu em 11 de junho de 1923 e construiu parte importante de sua trajetória política em Niterói. Advogado, jornalista e integrante do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foi deputado estadual, secretário de Estado e vice-governador antes de vencer a eleição de 1958.

Ele assumiu o governo do antigo Estado do Rio de Janeiro em 31 de janeiro de 1959, aos 35 anos. Sua administração ficou associada a iniciativas nas áreas de educação, infraestrutura e desenvolvimento do interior fluminense.

Roberto também participou do ambiente político que levou à criação da Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1960, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek.

O mandato, porém, foi interrompido por uma tragédia. Em fevereiro de 1961, o governador sofreu um acidente de helicóptero em Petrópolis, durante uma viagem relacionada ao acompanhamento dos efeitos de enchentes na região.

Após permanecer internado, Roberto Silveira morreu em 28 de fevereiro de 1961, aos 37 anos. Sua morte provocou grande comoção no estado e interrompeu uma carreira política que havia alcançado o Executivo fluminense ainda na juventude.

Dois anos depois, a família voltou ao comando do estado. Seu irmão, Badger da Silveira, eleito em 1962, assumiu o governo em janeiro de 1963. O mandato terminou em maio de 1964, após o golpe militar.

Assim, Bom Jesus do Itabapoana se tornou um dos municípios fluminenses com dois filhos que chegaram ao governo estadual, ambos antes da fusão de 1975.

Os irmãos Badger e Roberto Silveira / Reprodução

Capital, Niterói e Campos também marcaram a história

A cidade do Rio de Janeiro figura entre os principais locais de nascimento dos governadores fluminenses. Entre os políticos naturais da capital que chegaram ao Executivo estão Carlos Lacerda, governador da Guanabara entre 1960 e 1965, Chagas Freitas, Faria Lima, Marcello Alencar, Benedita da Silva e Sérgio Cabral Filho.

Niterói, antiga capital do Estado do Rio de Janeiro, também teve representantes importantes. Entre eles estão Ary Parreiras e Ernâni do Amaral Peixoto, que governou o antigo estado entre 1937 e 1945 e voltou ao cargo de 1951 a 1955.

Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, foi o berço de Nilo Peçanha, governador entre 1903 e 1906 e novamente entre 1914 e 1917. Entre os dois mandatos, ele chegou à Presidência da República, exercida de 1909 a 1910.

Outro campista a alcançar o Palácio Guanabara foi Anthony Garotinho, eleito governador em 1998. Ele permaneceu no cargo até abril de 2002, quando deixou o Executivo para disputar a Presidência da República.

Fusão mudou a origem dos governadores fluminenses

A fusão entre os antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, determinada pela Lei Complementar Federal nº 20, de 1974, entrou em vigor em 15 de março de 1975. A cidade do Rio passou a ser a capital da nova unidade federativa, enquanto Niterói perdeu a condição de sede do governo estadual.

O primeiro governador do estado unificado foi Faria Lima, nascido na capital fluminense e escolhido indiretamente durante o regime militar.

Desde então, políticos de diferentes regiões do Brasil ocuparam o Palácio Guanabara. Leonel Brizola, governador em dois períodos, nasceu no Rio Grande do Sul. Moreira Franco, que comandou o estado entre 1987 e 1991, era natural do Piauí.

Nilo Batista, que assumiu o Executivo em 1994, nasceu no Rio Grande do Norte. Rosinha Garotinho, eleita em 2002, é natural de Itaperuna, no Noroeste Fluminense.

Luiz Fernando Pezão, governador entre 2014 e 2018, nasceu em Piraí, no Sul Fluminense. Wilson Witzel, eleito em 2018, nasceu em Jundiaí, no interior paulista. Seu sucessor, Cláudio Castro, é natural de Santos, também em São Paulo.

Com Douglas Ruas, São Gonçalo passa a integrar a relação de municípios que deram governadores ao estado unificado. Sua eleição também recupera uma ligação histórica iniciada com Geremias Fontes e reforça a presença de cidades da Região Metropolitana e do interior na trajetória política do Rio.

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