A morte de 121 pessoas durante a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, na terça-feira (28), levou órgãos de direitos humanos e autoridades públicas a criar um gabinete de crise para discutir o episódio e propor novas diretrizes de segurança pública.
O encontro, batizado de “Rio Sem Chacina”, está marcado para esta quinta-feira (30), e reunirá parlamentares, defensorias, movimentos sociais e especialistas.
O evento é uma iniciativa conjunta da deputada estadual Dani Monteiro (Psol), que preside a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj), do deputado federal Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e dos ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial, chefiados por Macaé Evaristo e Anielle Franco.
Discussão sobre o saldo da operação
A operação, considerada a mais letal já realizada no estado, mobilizou 2,5 mil agentes das forças de segurança e resultou na apreensão de 118 armas de fogo — entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver.
De acordo com a Polícia Civil, 113 pessoas foram presas, sendo pelo menos 33 de fora do Rio de Janeiro. As autoridades ainda trabalham na identificação dos mortos, e há suspeita de que parte das vítimas seja de outros estados.
A ação, que teve início na madrugada de segunda-feira, foi marcada por confrontos intensos e gerou críticas de entidades civis e pedidos de apuração de possíveis violações de direitos humanos.
Cobrança por novas políticas públicas
Segundo os organizadores, o objetivo da reunião é definir medidas emergenciais diante das denúncias e buscar soluções estruturais que priorizem a proteção da vida e os direitos fundamentais.
“O encontro é essencial para discutirmos o futuro de um Rio de Janeiro que constantemente sofre com chacinas e episódios de violência nas nossas favelas. Nenhuma política de segurança se sustenta sobre o sangue do povo e sem garantias de direitos fundamentais. Exigimos políticas de legalidade, legitimidade e dignidade firmadas à luz da Constituição Federal”, afirmou a deputada Dani Monteiro.
Além das ministras e dos parlamentares, devem participar do encontro representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público, de movimentos sociais e de entidades ligadas à segurança pública.






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