A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acompanha a megaoperação realizada nesta terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar.
A ação, batizada de Operação Contenção, deixou um policial civil morto, ao menos nove agentes feridos e quatro moradores baleados. Dois suspeitos, identificados pela polícia como traficantes vindos da Bahia, também morreram.
A presidente da Comissão, deputada Dani Monteiro (PSOL), afirmou que as favelas voltaram a ser palco de uma “guerra” e criticou o caráter midiático e eleitoral dessas ações.
Segundo ela, “a cada nova operação, as favelas são novamente ocupadas pela guerra. A rotina é interrompida, o medo aumenta e o Estado reforça a mensagem de que há vidas que valem menos. Não é possível defender essas ações enquanto a população traumatizada tenta sobreviver à falta dos direitos humanos fundamentais, fugindo de balas e bombas.”
População sob fogo cruzado
A Comissão pediu ainda que as circunstâncias e os alvos da operação sejam investigados e reafirmou sua crítica a uma política de segurança baseada no confronto.
“Enquanto o governo investe em fuzis e blindados para fazer espetáculo, o povo das favelas segue sem direitos básicos. O impacto é gigantesco na vida dessas pessoas, desde o emocional ao financeiro. Segurança pública se constrói com dignidade, não com munição. O Estado precisa levar a sério a vida do favelado”, concluiu a deputada
Operação de grande porte e confronto intenso
A operação tinha como objetivo cumprir mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV) vindos de outros estados, especialmente da Bahia. A investigação aponta que os criminosos estariam usando as favelas da Penha e do Alemão como bases estratégicas para a expansão territorial da facção.
Até o fim da manhã, 81 pessoas haviam sido presas e 36 fuzis apreendidos. Blindados, helicópteros, drones e veículos de demolição foram usados no avanço das tropas, que contaram com apoio de promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio.
O policial civil Marcus Vinícius, da 53ª DP (Mesquita), conhecido como Máskara, morreu após ser atingido e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. Outros quatro policiais civis e três militares ficaram feridos.
A ação deixou um rastro de transtornos para cerca de 200 mil moradores, segundo a comissão. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 45 escolas municipais fecharam as portas — 28 no Alemão e 17 na Penha. Cinco unidades de Atenção Primária à Saúde suspenderam o atendimento, e uma clínica da família manteve o funcionamento interno, mas cancelou visitas domiciliares.






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